quinta-feira, 18 de agosto de 2022

RETALHOS DIALÉTICOS DE UM VOCABULÁRIO PEDAGÓGICO FILOSÓFICO

Considerando que ensinar e aprender mantém relação dialética entre si e com tudo o que diz respeito à educação e, por conseguinte, com toda relação social e com a Natureza, uma vez que não há educação sem ensino nem ensino sem aprendizado, então o que se expõe a seguir é uma teia pedagógica de retalhos dialéticos entre vocábulos organizada alfabeticamente e numericamente, conforme a tematização, visando a ensinar, num gesto de amor pedagógico, o que foi aprendido pensando, num gesto de amor filosófico; quiçá, um sumário em processo para uma Filosofia da Educação.

1.  AMAR é cuidar da preservação do ser valioso, pela qual se fortalece a relação de aperfeiçoamento do Ser.

2. BOMDADE é a condição de realização da plena liberdade de consciência, uma vez que ninguém é obrigado a ser bom, a fazer o bem, embora a vida em sociedade obrigue a não ser mau, a não fazer o mal.

3.  Embora, pedagogicamente, presuma-se o ato de ensinar como anterior ao de aprender, vale observar que, genealogicamente, o aprender é primordial, enquanto o ensinar é apenas pressuposto, uma vez que os primeiros aprendizados derivaram, certa e tão somente, da observação do aprendiz sobre o comportamento da Natureza, sem que ela tivesse qualquer intenção de ensinar. Nesses termos,

3.1.     APRENDER é, poeticamente, atuar sob nova visão ou crença; e, filosoficamente, é agir conforme uma nova percepção; assim,

2.2.     ENSINAR é, poeticamente, fazer ver, ou seja, dar nova perspectiva, fazer acreditar; mas, filosoficamente, é fazer perceber. Isto é: induzir a uma crença.

3.      Em vista da relação entre crença, fé e confiança:

3.1    CRENÇA é o ato deliberado de dar crédito ao que parece justificar a própria vida prática, coincidindo com ela por se identificar com o desejo de respeito e proteção. Ou seja: é o ato de acreditar no que lhe garante a comodidade contra aquilo que se ignora.

3.2    CONFIANÇA é o ato de dar fé à atitude de outrem baseando-se na experiência sobre a responsabilidade dele em atuar conforme suas crenças (de ambos): é uma aposta numa tendência de comportamento.

3.3    FÉ é a ratificação da ignorância: é uma aposta na mera vontade sobre aquilo que independe do sujeito para acontecer.

4.     CUIDAR é o ato de respeito e gratidão por aquilo que é valioso ao cuidador: é a responsabilidade em ato, isto é, a realização, efetivação, concretização da responsabilidade.

5. DIDÁTICA é a capacidade de uso ou criação de jogos pedagógicos com as ferramentas adequadas ao público correspondente para a tradução do aprendizado.

6.  DUVIDAR é exercitar o pensamento sobre a possibilidade de haver algo além do que aparece; epistemologicamente, é a condição de possibilidade de crítica sobre a indeterminação dos modos do ser se manifestar. Em outras palavras: é questionar porquê tem que ser tal como se apresenta.

7.  EDUCAR é, fundamentalmente, ensinar proteção e respeito: pelo fortalecimento da sociedade em vista da qual se dá o aperfeiçoamento do indivíduo, cujo aprendizado se faz pela sua autonomia ao sentir-se protegido e pelo respeito ao reconhecer-se respeitado.

7.1.   AUTONOMIA é a condição motivadora própria do sujeito para o agir conforme e em vista do aprendizado. Ou seja: é a condição pela qual o indivíduo busca e demonstra o seu aprendizado. Isto é: sem a decisão individual de querer aprender, não há como ensinar.

8.   ESCOLA é o ambiente de fortalecimento da educação.

    8.1 FORTALECIMENTO é a sensação de segurança para atuar.

9. FILOSOFIA é o discurso crítico demonstrativo com pretensões universais que se realiza no exercício de questionar e tentar responder racionalmente sobre três questões básicas  O que é? Por quê é? Para quê serve?  fundamentais para o viver entre os seres humanos e naturais como constituintes do Ser, ou seja, do real em sua totalidade. 

10.  GRATIDÃO é o reconhecimento sobre o serviço alheio ou valorização do seu esforço, através de energia contagiante que estimula reforçá-lo ou ampliar o serviço.

10.1.   INGRATIDÃO é ato de injustiça: desrespeito e falta de responsabilidade com o que lhe foi concedido.

10.2.   ENERGIA é, poeticamente, o meio pelo qual os seres se apaixonam, isto é, se afetam: ontologicamente, é o modo íntimo do ser, pelo qual os fenômenos se manifestam para além da linguagem individual; e, epistemologicamente, é a condição de possibilidade de acesso à espiritualidade.

10.3.   ESPÍRITO é a energia ignorada.

11.  HUMANO é o animal capaz de criar necessidades além da vida prática e disposto a transformar-se ou mudar o ambiente para satisfazê-las: é o modo de ser com aspiração ao aperfeiçoamento espiritual.

12.   INTENÇÃO é a motivação para agir.

13.   JOGO é o modo de criação pelo qual se possibilita a interação pelo prazer de aprender, que gera o aprendizado constante.

14.   JUSTIÇA é a correção como lição da responsabilidade. Difere da BONDADE, cujo ato é insuficiente para a devida correção; e da VINGANÇA, por cujo ato se excede a correção. 

15.   KÓNILOS é um pseudônimo grego com pretensões filosóficas de proteção ao anonimato.

16.   LIÇÃO é o conteúdo do aprendizado.

17.   LINGUAGEM é a condição de possibilidade de expressar sentimento ou pensamento.

18.   MÉRITO é a responsabilização pelos próprios atos.

19.   NOTA é a quantificação de uma avaliação que, por justiça, deve corresponder ao mérito.

19.1.  AVALIAR, pedagogicamente, é valorizar o processo de ensino, através do aprendizado: quantificando-os ou qualificando-os.

20.   OBSERVAÇÃO é a capacidade intencional para aprender; é a autonomia de busca do aprendizado. Em suma, é a atitude primordial do aprendiz.

21.   PACIÊNCIA é o respeito ao tempo alheio, sem a qual não há didática.

22.   PROTEÇÃO é a preparação para agir.

23. QUESTÃO é a tradução de uma dúvida numa pergunta. 

24.   RAZÃO é a condição de possibilidade para a universalização de compreensão do discurso sobre os seres.

25.   RESPEITO é o reconhecimento do valor do outro, sem o qual não há confiança.

26. RESPONSABILIDADE é a capacidade de responder demonstrando cuidado pelo que lhe é, merecidamente, concedido ou conquistado. Assim, 

26.1. ENSINAR RESPONSABILIDADE é fazer ver que a cada resposta dada pelo indivíduo cuidador sobre o que lhe foi concedido ou conquistado decorre o seu aperfeiçoamento e o fortalecimento da relação social pela qual ele é educado.

27. SERVIÇO é o modo pelo qual uma relação se concretiza, graças a um esforço ou em vista de uma finalidade alcançada.

28.   TRABALHO é o serviço por cuja intencionalidade o humano se distingue dos outros animais.

29.   TRADUÇÃO é, pedagogicamente, a transformação de um aprendizado em um modo de ensino.

30.   UNIVERSAL é a aspiração de compreensão comum entre os seres em qualquer tempo ou lugar.

31. UNIVERSIDADE é o ambiente institucional de aprofundamento do saber em vista dos fundamentos para uma profissionalização.

32. VALOR é o indicativo do prazer, ou da dor, numa relação.

33. VERDADE é a crença, objetivamente e racionalmente, justificada. É o pressuposto de todo discurso com pretensões educativas.

34. WILLIAM é um nome inglês por cujo jogo de letras pode-se traduzir: “eu sou desejo” de proteção.

35.   XAMIRRANHA é o pseudônimo para um nome ignorado.

36.   YUKIKO é a dúvida irônica sobre a responsabilidade: yukiko tenho com isso?

37. ZÉ NINGUÉM é o pseudônimo de quem não se presta nem pra ter nome.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

THEO PRESENTE AO FUTURO

Eu vi os olhos de Deus

E os vi mirando em mim

Dizendo: "Toma, filha! É teu

Vai lá! Cuida! Ama ... Enfim!"


Deus me mandou um presente 

Que era já um pedaço meu

Um misto da minha gente

E da do amor que Ele me deu

Ajuntando sentimentos

De alegria, medo e dor

Uma cólica aqui, acolá um enjoo 

A melhor notícia esperançada no Amor

Primeira gravidez de Ahmina Raiara


- Sua família, minha flor!

Deus falou pra mim, baixinho.

Seu amor criou raiz

Seu corpo, que era ninho

Agora já é morada

Que aconchega e faz feliz


- Cuide, meu amor!

É seu

Eu te dou essa missão

Seja forte!

Não desista!

Nada será em vão


Nessa terra ora sem lei

Nesse mundo sem juiz

Eu te dou tua família 

Pra te fazer mais feliz

Na busca do sentido à vida

Na lide que já te dei

Criar alguém pra esse mundo

Não será fácil missão

Mas é a mais bonita forma

De buscar (R)evolução

Ahmina Raiara Solsona Oliveira

João Pessoa, 12/05/2021.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

CARTA ABERTA À OPOSIÇÃO UERN DIFERENTE

Caras/os Companheiras/os!

Perdoem-me pelo prolongamento do meu tempo neste grupo!

Tentei poupá-los de qualquer comentário que lhes obrigasse a me excluírem, pois eu pretendia apresentar-lhes um textículo (com X mesmo... rs) registrando as minhas razões para eu próprio me excluir, embora já as conheça quem participou da reunião na qual expus meus questionamentos.

Outras tarefas, no entanto, têm me feito adiar, até para não personificar, uma análise de alguns discursos neste grupo reveladores de como a linguagem revela o humano, principalmente na política.

Mas a angústia ética em continuar acessando as mensagens e estratégias deste grupo tendo que as ignorar sem as rebater, apesar da minha discordância, me impele a despedir-me sem o textículo que analisaria tais falas.

Credito, porém, à maturidade das/os companheiras/os a capacidade para entenderem que minhas críticas e observações jamais seriam pessoais. 

Se insisti em permanecer neste grupo foi na expectativa de evitarmos o mal maior: a oposição disputar entre si como se fosse uma convenção partidária para apresentar seus candidatos – à futura eleição UERN 2025 –, haja vista sabermos que a oposição dividida só tira voto dela mesma, e pelo fato de que os candidatos escolhidos no grupo anterior surgiram dentro das regras gestadas no grupo formado por nós, o qual já derivava do grupo originário que vem discutindo a oposição na UERN desde o século passado, como o #EmDefesaDaUERN, depois #UERNemLuta, #UERNemResistência, #SucessãoUERN, #EleiçõesUERN, #ColetivoOposiçãoUERN, #ColetivoRelus, #UERNdemocraciaeLuta e o mais recente, mas, provavelmente, não o último, #UmaUERNdiferente, dos quais, sucessivamente, o núcleo formador foi se excluindo e criando os subsequentes subgrupos e sempre convidando mais gente que “convida mais gente”, tal como um grupo de playboys que promove uma festa [da oposição] e, depois que os convivas apresentam novos convidados, o núcleo sai para fazer sua própria festa reservada em outro lugar deixando-os na festa vazia e convidando novos a participarem do novo encontro como se fosse uma nova festa por estarem em outro local. Por que tanto exclusivismo? Por que tanta discriminação? Queremos só a festa privada ou conquistar a praça pública?

Parece, no entanto, que da última vez esse núcleo se ressentiu porque os convivas, sedentos pela festa [da oposição], trouxeram novos convidados e todos resolveram assumi-la e “convidar mais gente”, cuja sede pela conquista da praça pública tem feito a festa continuar rolando. Por que temos que atrapalhar a festa alheia se nós já aprendemos que duas festas da mesma comunidade não atraem ninguém da praça a ser conquistada, tampouco retira dela algum conviva que não seja expulso; apenas divide a comunidade e mantém a praça em festa ocupada pelos mesmos donos do pedaço? Ao contrário, as duas festas na comunidade dão segurança e tranquilidade à festa na praça.

Se o outro grupo é filho gerado por nós, por que não aprendermos com a experiência, reconhecendo os nossos erros na sua criação e acolhendo-os como bons pais que devemos ser, em vez de renegá-los? Afinal, como pai e educador, aprendi que o comportamento das/os filhas/os é, a rigor, o boletim dos pais.

Graças a alguns comentários ainda em defesa da união dessa oposição ou unicidade de chapa, mesmo que votando em branco ou nulo, para evitarmos a responsabilidade sobre a repetição da derrota, ainda tenho a esperança de que esta mãe não se condene, dialeticamente, ao condenar o próprio filho que ela gerou!

Sem mais, para não alongar este textículo, agradeço a todas as pessoas pela participação me confiada, em nome de Neto Vale, que me convidou e me inseriu, e peço desculpas a todas por eu não ter me despedido antes. Até breve, pois isto não deve alterar nossa amizade!

E a luta continua!

Mossoró/RN, 09/12/2020.

(Prof. William Coelho-DFI/FAFIC)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Acerca de Palavras que Nutrem ou Envenenam

Em minhas redes sociais, como quem segura uma placa à margem do caminho ou entrega panfleto a quem passa, certa vez compartilhei uma postagem cuja ideia é a seguinte: "Se você comesse suas próprias palavras, elas nutririam sua alma ou a envenenariam?"

Um colega, então, respondeu-me como quem passa caminhando sem querer parar nem calar, dizendo apenas que a "reflexão é positivista. A palavra depende do contexto."

Perguntei-lhe, como quem acompanha o seu caminhar, se não é no contexto que também se nutre ou se envenena.

Ele respondeu, como se me apresentasse outra placa: "continua positivista".

Então insisti em acompanhá-lo no caminho, na pretensão de trazê-lo para a reflexão sobre o problema e lhe perguntei, privando-o da premissa - supondo que você esteja certo: o problema é o positivismo ou as consequências do uso da palavra?

Mas ainda fugindo do problema, como quem caminha sem parar pra pensar sobre o que ouviu ou leu, presumindo que sua opinião seja superior à panfletagem, ele apelou para o uso do argumento de autoridade e retrucou: "o problema é que você não está fazendo jus ao título acadêmico que você tem... Parece um sujeito de 'massa'."

Sob a intenção de fazê-lo perceber o problema e sua bifurcação em modos de discuti-lo, apelei, então, ao modo dele, como quem se interpõe à frente do caminhante para fazê-lo parar sem opção de fuga, e indaguei-lhe: como você faz jus ao seu título acadêmico, com respostas que escapam à investigação do problema? Não corresponde ao comportamento da "massa"? Se basta rotular [de positivista] para ser acadêmico, como fica a percepção do problema que realmente interessa?

Parece que isso não o fez parar, mas pausar ainda se esquivando, com um passo supostamente à esquerda, ao dizer: "agora, você está se aproximando da dialética", referindo-se à minha pergunta frontal sobre o título acadêmico e a investigação do problema. Mas, como que exibindo o panfleto ainda em sua mão, ele disse: "isso é postagem empirista".

E eu, me reportando à sua menção à dialética, retruquei-o dizendo que as perguntas são para fazer pensar e só pode pensar quem percebe o problema. Contudo, sobre o panfleto metaforicamente em sua mão contra o qual ele acusa de "postagem empirista", perguntei-lhe: Mas qual o problema nisso? Ater-se ao rótulo [de empirista ou positivista] não é ater-se à superfície do problema cujo frasco o rotulador nem abriu para analisar? 

Por um instante, enquanto ele se mantinha parado sem resposta, como a pensar nas imagens que lhe dei de "rótulo" e "superfície", retornei ao ponto da bifurcação nos modos de discutir, para mostrar-lhe que eu poderia seguir no caminho dele, se isso me interessasse, mas que eu ainda preferia que ele percebesse que havia outro caminho mais importante a percorrer. No entanto, para fazê-lo perceber como caminharíamos no pensamento dele, afirmei-lhe que, pelo prazer da discussão teórica, a pergunta seria: por que você diz que isso [a reflexão] é positivista?

Aparentemente, esta pergunta o fez, de fato, parar e pensar, visto que, depois de alguns minutos, ele admitiu que "isso é discussão para o tempo real", isto é, para fora das redes sociais, com o que concordei, pois, realmente, sem compreender o problema anunciado, haveria apenas desvio na rotulação de "positivista" ou "empirista", tal como o faz quem deprecia o mito por ser o discurso explicativo do senso comum sobre a realidade empírica, ou seja, o discurso do "sujeito de massa"; sem que o depreciador perceba, no entanto, as verdades subjacentes a esse tipo de discurso.

Entretanto, evitei que ele percebesse que sua resposta, como novo desvio, abria-me uma nova vereda, pois, se tal discussão só cabe em tempo real, fora das redes sociais, eu poderia perguntar-lhe por que, então, ele tentou levar-me por ela sem sequer analisar o problema anunciado na postagem?

Ouso pensar e arrisco dizer que fugir do problema, prático ou teórico, tal como a respeito do uso das palavras como nutrição ou veneno, pressupõe dois pensamentos assentados em uma sensação - a de insegurança: ou por se reconhecer ignorante sobre o problema e por preguiça ou despreparo no pensar, apela-se ao desvio no qual presume-se seguro; ou, por identificar-se com o problema e por medo de enfrentá-lo, logo apela-se para o desvio, acreditando-se mais seguro. 

Ora, racionalmente, quem ignora o problema mas quer conhecê-lo tende a questioná-lo para compreendê-lo; ou calar-se, supondo vergonha ao seu título acadêmico. Porém, quando o poder do título infla a presunção do ego, tende-se a desviar o caminho sem investigar o problema, o que, dependendo do uso das palavras, pode nutrir ou envenenar a alma.

Por outro lado, só se pode identificar-se com tal problema pensando dialeticamente sobre o movimento das palavras que, contrariamente, ao sair da boca, nutriria ou envenenaria a alma, porque, a rigor, antes de pronunciadas, elas foram, contextualmente, sentidas na afecção do corpo pelo ambiente e, por conseguinte, pensadas, supostamente, pela alma. 

A nutrição ou o envenenamento, portanto, não se dá após as palavras pronunciadas. Neste contexto, sua expressão é apenas sintoma da alma já afetada. A fala, infelizmente, apenas retroalimenta, nutrindo, como no ato de regurgitar, ou tentando envenenar os outros, como no ato de vomitar. Logo, a alimentação se deu já no pensamento, desde a afecção que o fez pensá-las. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

ALFA E BETO III

 III - IDENTIFICANDO OS SONS

Alfa: Caaaaa

Beto: Ca

Alfa: Ceeee

Beto: Ce

Alfa: Ciii

Beto: Ci

Alfa: Coo

Beto: Co

Alfa: Cu

Beto: Cu

Logo Alfa percebeu que Beto já estava identificando os sons, pois estava desenhando-os no modo mais breve, mesmo quando ela o cantava em modo longo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

ALFA E BETO II

 II - ALFA BETIZANDO OS SONS

Alfa: Baaaaa

Beto: Baaaaaaaaa

Alfa: Ba

Beto: Ba

Alfa: Beeeee

Beto: Beeeeeeee

Alfa: Be

Beto: Be

Alfa: Biiiiii

Beto: Biiiiiii

Alfa: Bi

Beto: Bi

Alfa: Boooooo

Beto: Boooooooo

Alfa: Bo

Beto: Bo

Alfa: Buuuuu

Beto: Buuuuuu

Alfa: Bu

Beto: Bu

Mas Beto supôs que ambos não estavam se entendendo pelo desenho do som alongado, pois Alfa logo o tornava breve e, tão logo o via desenhado, parecendo satisfeita, ela mudava para um novo som. Isso despertou-lhe a vontade de se entenderem.


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

ALFA E BETO

 I - CANTAR E BRINCAR

Era uma vez Alfa e Beto.

Alfa era uma menina que gostava muito de cantar.

Beto era um menino que gostava muito de brincar.

Ele desenhava tudo o que ouvia.

Ela cantava tudo o que via.

Alfa queria conversar com Beto, mas, aparentemente, ele preferia brincar.

Beto queria brincar com Alfa, mas, aparentemente, ela preferia cantar.

Por isso eles não se entendiam.

Enquanto Alfa cantava, Beto apenas lhe olhava e desenhava.

Enquanto ele desenhava, ela apenas o observava e cantarolava.

Num belo dia, Alfa teve uma boa ideia. Então, ela cantou:

- Beto! Vamos brincar! 

E ele desenhou algo alegre e surpreendente, como:

- Alfa! Vamos brincar!

Alfa continuou cantando:

- Brincar de desenhar.

E ele, desenhando:

- Você pode cantar meu desenho.

E ela, cantando:

- Não entendo o seu desenho.

Precisamos brincar de compreender e ser compreendida.

Que tal desenhar o que eu canto?!

E Beto rabisca:

- Canta e eu repito.

Então, depois de uma pausa de ambos...

Alfa: Aaaaaa

Beto: Aaaaaaaaaaa

Alfa: A

Beto: A

Alfa: Eeeeee

Beto: Eeeeeeeeee

Alfa: E

Beto: E

Alfa: Iiiiiiii

Beto: Iiiiiiiiiiii

Alfa: I

Beto: I

Alfa: Oooooo

Beto: Ooooooooo

Alfa: O

Beto: O

Alfa: Uuuuuu

Beto: Uuuuuuu

Alfa: U

Beto: U

Assim, Alfa percebeu que Beto desenhava rápido os sons mais curtos. Então, ela continuou acrescentando novos sons aos mais simples e ele continuou desenhando o que ouvia...

sexta-feira, 1 de maio de 2020

AO TIO IVAN

Quando ela veio você se foi...
Partindo sem deixar recado
Sem escrever bilhete ou coisa assim
Causando um estardalhaço
Na alma de quem amo
E até dentro de mim


No peito a saudade ardida
Na mente a lembrança cativa
E na garganta o nó engasgado
De quem não pode chorar
Quando começa a doer

Nunca a falta do seu abraço doeu tanto
Nunca a falta do seu olhar doeu mais
Nunca a carência da sua voz me fez muda
Nunca me senti tão incapaz

Queria de volta suas brincadeiras malucas
E tomar café discutindo política à beira da tarde
Queria escutar seus conselhos
E poder rir com você do que a vida faz
Ver suas declarações pra tia Nalva
E seus mimos com Ianninha
Eu queria, tio, juro que eu queria...
Mas, agora, tudo é arquivo guardado no HD
Que mudaram e mudarão minha vida
Para sempre

Obrigada por tudo, tio!
Te amo!
THAILLA OLIVEIRA (25/04/2020)

domingo, 26 de abril de 2020

ACORDA, SALINHO!

Se eu pudesse, eu pediria a Deus
Que o hoje não fosse hoje
E como o hoje
Os amanhãs também não acontecessem  assim

Mas, agora
Eu só queria era poder dormir, dormir, dormir ...
Dormir num sono bem profundo
Sono de nem sonhar
E se eu tivesse mesmo que acordar para esse mundo
Fosse com você me despertando
Chamando o meu nome
Como sempre no diminutivo
Com o seu peculiar carinho
Renitente em seus motivos
Como incentivo para que eu me visse grande
Forte, capaz, poético, feliz, competitivo...
E continuasse alegremente o caminhar

Entretanto, é outra a realidade
Acorde-me dela, por favor!
Ainda creio que estou dormindo
Acorde-me falando
Que tudo não passou
De uma grande e tola brincadeira
Que você simulou
Só para nos ver sorrindo
E que é mais tola ainda
E desnecessário esse vazio
E essa angústia que estão me consumindo
Nesta ardente e tão silenciosa dor


Desperta-me!
E me surpreenda com mais uma nova viagem
Para todos nós ficarmos juntos
E nos alegrarmos em um bom lugar
Não numa viagem triste
Como essa em que você se foi sozinho
Tão subitamente
Como disse Thailla:
"Sem nada explicar"

Venha me sacolejar
Com a mais nova piada
Como as tantas que você inventava de repente
Só pelo prazer urgente de nos ver gargalhar
Só para alegrar o ambiente
Como aquela de empurrar no açude a meninada
De arriscar entre primos uma cavalgada
Só pra perder o medo
De aprender a nadar e a cavalgar

Cadê você, cunhado, amigão?
Paizão, palhação, tiozão, sogrão, vozão, maridão...
Cadê você, atleta, incentivador, rei da saúde, inveterado?
Naldinho, Naldão

Você foi demais sendo bom
Demais para todos nós
Muito amiúde
Quero acreditar
Que você se foi sutil
Para que, o que você fez por todos nós
Por todo esse tempo a fio
Não nos desse tempo de pagar

Certamente que tudo que você construiu
Em sua exímia engenharia de vida
Você esqueceu de calcular
O peso da saudade na sua ida
A falta da louca alegria,
E o legado
Que sobre nossas almas tão feridas
Iriam desabar

Agora
O que nos resta mesmo é a resiliência
É aceitar
Seguir-lhe ouvindo na lembrança assobiar
Constantemente Caetano:
"um amor assim delicado..."
E cumprirmos a missão de compartilhar
O tamanho do seu coração assim tão demasiado
De imensa alegria e intenso cuidado
Humanidade que não coube em si

Resta-nos, então, ir ao bom Criador
Onde todo dissabor se refugia
Onde toda misericórdia se faz
Pedir que nos oportunize um encontro um dia
Em um lugar eterno de alegria e paz,
Sem saudades, sem dor.

SALES DE OLIVEIRA (26/04/2020).

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

PAIXÃO DE PRIMAVERA

Tem amor no nome dela...
Tipo cristão, talvez
Mimo de flor
De mãe, amiga, amante
... quem me dera!
Amada além de um quando em vez,
Feito broto à primavera


Mas, nome? É coisa de pais
Que lhe deram sem mais
Nem menos que uma sina
Oxalá seja divina de amor e paz!


Quiçá, amor de menina
Exaltado amor profano, então
Divinamente humano
Exalando
À fina flor da pele
Branco tesão!

Sedução do olhar aos brandos
E serenos caracóis
Em loiras melenas, meigas e serenas
Como a voz que soa doce e angelical
Feito o olhar à luz do qual
Brilha a cor de uma paixão!
(Mossoró, 06/03/2001)

sábado, 20 de abril de 2019

Sobre a Dor e o Prazer da Profissão

Há quem diga que o mundo acadêmico está doente. Ou seria ele um mundo doentio?
Presumo, junto com a maioria, que o ambiente acadêmico deveria ser distinto dos demais ambientes de trabalho, uma vez que, por formação, estaríamos todos mais no âmbito da racionalidade do que no da sentimentalidade. Mas no que razão e sensação se distinguem se não pela totalidade e universalidade de uma e pela particularidade e singularidade da outra?
No entanto, a racionalidade acadêmica continua sendo instrumental, técnica, perdendo de vista a totalidade da vida humana como pessoal, profissional, social, econômica, artística. Ou seja, torná-la instrumental é deixar de usá-la para compreender e mudar a realidade, usando-a apenas para defender os interesses pessoais.
Isto é mais visível principalmente no serviço público. Pois tão logo se conquista a segurança de concursado, o sentimento privado se fortalece em detrimento da racionalidade pública: age-se como não se agiria numa instituição privada, na qual, ironicamente, o interesse privado é subjugado a outro interesse privado de outrem: o proprietário. 
Em instituição privada, porém, o sentimento de segurança é almejado pela relação de proximidade aos poderosos, causando submissão profissional e até pessoal. Curiosamente, a mesma mentalidade aparece também em instituição pública.
Então, criam-se discursos em defesa da instituição, pública ou privada, incoerentes com a própria ação de servidor público ou de profissional de nível superior. Aliás, "professor universitário" parece não se reconhecer como "servidor", pelo simples fato de ser um formador de profissionais de nível superior. Estranho, não?! Um poder conquistado para quê?
Eu suspeito que esta incoerência pragmática, isto é, esta discrepância entre o discurso e a prática é uma das causas de muitas doenças mentais, se já não for ela mesma uma doença, haja vista o esforço pela coerência também implicar em angústia ou depressão, se se tem que lutar sozinho, sem saber as causas e consequências dessa luta.
Esta discrepância teórico-prática parece comum a um tipo de mentalidade, isto é, a um uso mental dogmático, preso à busca ou manutenção de privilégios, em detrimento do senso de justiça; quer seja por identificar-se com a classe economicamente privilegiada, por identidade real ou imaginária; quer seja por identificar-se como indivíduo privilegiado intelectualmente, requisitando para si compensação material ou supervalorização do ego.
Não seria a falta de compreensão disso a geradora de conflitos pessoais e interpessoais? Ora, não sabermos lidar com os sentimentos advindos desse conflito parece nos colocar no cerne do problema: o conflito entre racionalidade e sentimentos. Pois daí resulta o desequilíbrio mental como adoecimento, cuja camuflagem faz adoecer o corpo.
Nessa perspectiva, não aprender a lidar com os nossos limites mentais talvez seja a causa do nosso adoecimento, o qual, por vezes, replicamos nos outros ou deles absorvemos, resultando em prazer ou dor. Mas por que alguns sentem prazer com isso, enquanto outros sentem dor?
Nietzsche diria: porque somos vontade de poder.
Mas, potência é tendência, diria Aristóteles.
E eu pergunto: se já sabemos qual a tendência, por que segui-la, se podemos mudá-la? 

terça-feira, 5 de junho de 2018

SOBRE MUDANÇA E RESPONSABILIDADE

Mais uma vez é chegada a oportunidade de mudança.
Na próxima quarta-feira, 13 de Junho de 2018, acontecerão as eleições para Diretor e Vice-diretor da FAFIC, cargos para os quais concorremos eu - Prof. William Coelho (DFI) - e o Prof. Marcílio Falcão (DHI): PARA INTEGRAR AS HUMANIDADES.
TV COM FAFIC: PARA INTEGRAR AS HUMANIDADES
A cada quatro anos essa chance é renovada e propostas se repetem.
Mas o que é necessário fazer para renovar a nossa Faculdade, melhorando-a como ambiente saudável de trabalho e de estudo?
Em síntese, vale pensar: por que tantas propostas repetitivas ainda não foram executadas! Até quando repeti-las? O que desperdiçamos, além da oportunidade de mudança?
O que é possível fazer para melhorarmos os nossos cursos, pensando-os através dos nossos serviços de Professor/a e de Técnico/a? Como integrá-los para atuarmos, de fato, como faculdade de uma instituição pública, a serviço do nosso alunado e da sociedade que nos paga?
Qual a contribuição do aluno na mudança que queremos? E em que ele se beneficia sem mudança? Qual a sua contribuição de Técnico/a ou de Professor/a? E qual o seu benefício na atual situação?
Somos uma faculdade formadora de profissionais das ditas humanidades, que tanto reclamamos em nossa sociedade para a almejada educação integral cuja falta prejudica a cidadania, ao priorizar o saber tecnicista, para o mercado de trabalho, em detrimento do ser humano.
Somos a faculdade das teorias humanistas, das quais carece todo profissional de nível superior. Mas saber sobre elas e não as praticar torna-as um saber técnico, desvinculado do sujeito, desprovido do compromisso humano, como bem observa o filósofo do Princípio Responsabilidade, Hans Jonas (1903-93). Disso resulta a falta de participação, em troca de promessas ou vantagens individuais; sobra subserviência, por confundi-la com o respeito, que falta a si próprio; e falta senso de justiça, pela prevalência do ego, que visa a privilégios em detrimento da convivência saudável.

Sabemos que às ciências cabe descrever a realidade. A realidade social, porém, não passa de tendência, potência, movimento decorrente de uma práxis, segundo a ontologia aristotélica. Assim, ao analisar e compreender cada tendência histórica e geográfica da realidade social, cabe a nós profissionais e estudiosos das potencialidades humanas, não apenas descrevê-la, mas atualizá-la, isto é, atuarmos politicamente para que ela se torne realmente o que deve ser, em vez de apenas se conformar no que está sendo. 
A mudança, então, depende de cada um de nós e de todos nós. Depende de você, colega docente, técnico/a ou discente: não só pelo voto, mas pela sua capacidade individual de mudar a si próprio em prol da mudança comunitária, abrindo mão do ego e pensando na condição do outro como espelho, que reflete para você a mesma condição que você espelha para ele. Afinal, o Outro é, filosoficamente, universalizável; mas o ego, não. 
É preciso, pois, desvencilhar-se do medo comum, para tornar-se autônomo e agir comunicativamente como nos cabe nesta comunidade que deveria expressar racionalidade; para dizer "não" à subserviência; para assumir a responsabilidade republicana com a coisa pública e mostrar que é possível fazer diferente, com respeito e justiça, garantindo a dignidade profissional, estudantil e pessoal.
Precisamos romper o ciclo vicioso de reclamações à política na sociedade, cujo comportamento reproduzimos na nossa vida profissional ou pessoal.
Precisamos iniciar um ciclo virtuoso, com a mudança de atitude que corresponda ao nosso discurso. Senão, é melhor mudar o nosso discurso, em nome da credibilidade e da confiabilidade. Pois, crédito nós damos a quem queremos, mas confiança é uma conquista que depende de um histórico da prática individual, pela qual vislumbram-se perspectivas. E a História nos mostra qual prática, apesar do discurso, atualizou uma tendência, isto é, qual atitude no passado gerou o comportamento presente. Portanto, a responsabilidade com o futuro está na nossa prática atual, com respeito à nossa Faculdade, à nossa Universidade e à nossa sociedade, uma vez que naquelas produzimos e formamos profissionais para esta. 
Por isso também a responsabilidade da mudança está no seu voto, que precisa expressar o seu desejo de mudança pessoal e comunitária. Pois, sem tal compromisso, as suas críticas ao comportamento alheio tornam-se vãs: mera reclamação viciada, discurso vazio, sem credibilidade e sem perspectiva de mudança. Ora, o seu voto deve valer mais do que um favorecimento: vale o seu compromisso político, social e institucional, no qual acreditamos e pelo qual contamos com o seu apoio nesta oportunidade de 2018 a 2022, como Diretor e Vice-diretor da FAFIC.
A mim coube pensar e fazer pensar sobre as propostas para uma FAFIC integrada pelas humanidades. A vocês cabe analisar e decidir sobre as propostas, aproveitando a oportunidade para fazer diferente do que se tem há décadas.
Então, vamos à luta!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

PARA INTEGRAR AS HUMANIDADES

À comunidade FAFIC!
A Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UERN é composta por cinco departamentos acadêmicos – DCSP, DECOM, DFI, DGE e DHI – com seus respectivos cursos: licenciaturas em Ciências Sociais, Filosofia, Geografia e História, além dos bacharelados em Ciências Sociais, em Comunicação Social, em Publicidade e Propaganda e em Jornalismo, e mais o Mestrado em Ciências Sociais e Humanas. Em seus documentos oficiais, desde os Projetos Pedagógicos dos Cursos, seguindo a legislação federal, todos se baseiam na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. E todos falam em interdisciplinaridade. Mas, qual desses cursos consegue realizar essas ideias? Qual proporciona aos nossos alunos a percepção de totalidade universitária através de pesquisas dos nossos professores, que fundamentem o ensino e propiciem a extensão desse saber produzido pela FAFIC ou pela UERN? Qual consegue promover a interdisciplinaridade sozinho? Pesquisas têm mostrado que nas escolas, porém, ainda precisamos aprimorar esse papel como faculdade responsável pelos fundamentos humanistas.

Então, como proporcionar a realização dessas ideias fundamentais para a constituição de uma faculdade, se não for mediante uma gestão democrática e comprometida com a identidade epistemológica, ética e política das chamadas humanidades? Nesta perspectiva almejamos fortalecer todas as graduações que compõem a nossa faculdade e responder à demanda da sociedade acerca da formação de profissionais de nível superior voltados para a compreensão e atuação sobre os problemas humanos, sociais e políticos que afligem a nossa educação básica e superior.
Eis, pois, o objetivo desta candidatura para gerir a FAFIC, de 2018 a 2022: integrar as humanidades exercitando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, pelo que precisamos fomentar não apenas a pesquisa, mas também valorizar a extensão, de modo a fortalecer o ensino, valorizando o serviço dos nossos professores e técnicos, prestado ao nosso público discente e à sociedade. 


Então, vamos à luta, por uma FAFIC humanamente integrada!


Eleições em 13/06/2018: quarta-feira.

sábado, 17 de março de 2018

Luta Prorrogada

Diário de luta
Diário de vida
Luta diária
Norte da vítima
Força incomodada força a luta
Morte encomendada finda o diário
Mas força a vida
Luta prorrogada...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

LUTA QUE TE QUERO DIGNA

Que os nossos olhos não ardam
Pela pimenta da opressão
Mas que se iluminem
À busca de caminhos
Na digna ação

Que o gás em nossos pulmões
Não seja lacrimogênio
Porquanto as lágrimas que alimentem a luta não sejam de dor
Mas do vigor da solidariedade
Que nos oxigena

Que nossa moral
Não se reduza ao efeito da bomba dos repressores
Pois somos Servidores ... sem salário
E quem merece reprimenda
É o governo salafrário

Que o nosso corpo não fuja
À ameaça covarde
Mas resista
Pela dignidade da luta


Que nossa boca não se cale
Frente ao abuso de autoridade
Mas que às nossas palavras assista
À imagem da eloquência
Sem a mísera vaidade

Porque a vida é filha da luta
Mãe da coragem
E da solidariedade é irmã
Sem o quê, a labuta é mera peleja
De sobrevivência:
Uma quimera do ente
Individual, indevida e vã

Pois a luta é movimento
É a graça do Ser
Para além do que se almeja
É ela a condição da liberdade
É a responsabilidade dos conscientes
Das causas e consequências do viver


Porque vida é conquista, gratidão e resistência
De quem não foge ao que há de ser
Servidor, teórica e praticamente
Ao professar o saber e a saúde
Viva a luta, que te quero digna!

domingo, 22 de outubro de 2017

Labirintite

O mundo gira
E minha cabeça tende a ultrapassá-lo
A pressão me tensiona o corpo
Pela tensão que me pressiona a mente
Absorto, em minha própria sala de estar
O meu labirinto me encarcera
E por instinto de pensador
Ponho-me a dilacerar pensamentos
Tentando remediar a dor
Pois meu equilíbrio
Já era ... 

domingo, 9 de julho de 2017

Sorria e Aprenda, que lhe há de ser BOM o DIA!



Diante de tanta notícia ruim, diariamente, cujo resultado é, geralmente, um adoecimento do humor e da percepção do real, cujo sintoma é o descrédito na Política e até na humanidade, decidi precaver-me disto acessando antes algo que me fizesse rir e compartilhando-o nos vários grupos e entre amigos numa lista de Bom Dia no meu whatsapp. No entanto, um amigo filósofo me questionou: 

De onde vem esse otimismo, que não condiz com o status quo do Brasil atual? 
Talvez venha da minha compreensão de que preciso usar minha força interior (sorrir e aprender) para me vacinar diariamente contra as más forças exteriores e não me entregar ao mau humor ou pessimismo que elas proporcionam.
O sorriso vacina, tal como a piada faz pensar, e o aprendizado torna bom o dia.

Esse otimismo não incorreria num solipsismo inócuo à solução dos problemas objetivos do mundo real? 

Ora, se a questão se reduzir a deixar para os outros encararem a solução dos problemas do mundo intersubjetivo, de fato, isto não pode ser salutar à sociedade.
Mas a questão pode ser: COMO encarar os problemas do mundo intersubjetivo?
E a proposta é: vacinando-se com o sorriso antes de enfrentar as más notícias cotidianas. Pois, a depender delas, certamente, não há como se ter um bom dia.
Para isto, então, é preciso que se aprenda todo dia, a começar com a perspectiva do humor sobre a realidade. E, necessariamente, também com as tristes notícias cotidianas, para se superar a cada dia.
Assim, a solução não é deixada para os outros. Ela ainda está sendo buscada no aprendizado de cada dia com, para, e apesar dos outros.

Se isso tem sentido, então o que é "ter sentido"? Questionou-me uma amiga.

A rigor, a pergunta pelo "sentido" é, para mim, a pergunta verdadeiramente filosófica. Penso que "ter sentido", "fazer sentido" ou "dar sentido" é, em primeira instância, atribuir valor de verdade a um discurso que conforma, que justifica ou se ajusta à prática que preferimos adotar. Em última instância, consiste numa perspectiva pela qual se fundamenta uma prática sem nos arriscarmos a perder o sentido da vida, sem o qual a renegamos ou nos entregamos à barbárie ou à loucura, o que seria o mesmo.

E desde quando o discurso que conforta o subjetivo eu, deixando a solução dos problemas do mundo intersubjetivo para os outros encararem, é salutar à sociedade e aos homens outros? Redarguiu-me o filósofo.
Vale pensar que o discurso que conforta o sujeito é salutar à sociedade desde quando ele se realiza numa ação universalizável. Isto é, desde quando ele não mata o sujeito nem o isola da sociedade.
Atribuir valor de verdade ao sorriso e ao aprendizado cotidianos como condição para tornar bom o dia gera uma ideia universalizável que se realiza na condição de rir e pensar e fazer o outro rir e pensar a partir do risível, na busca de solução com e para os outros, apesar do "status quo do Brasil atual..." Afinal, que sentido tem tentar mudar os outros se não consigo mudar a mim mesmo?

E o que é o sentido da vida? Insistiu nossa amiga.


Teoricamente, seguindo o mesmo raciocínio, eu diria que "o sentido da vida" é o valor de verdade que atribuímos ao nosso modo de viver.                  
A consequência disso é um problema prático, que se dá quando não conseguimos mais com a nossa prática corroborar o valor de verdade atribuído ao discurso que a sustenta. Então, precisamos mudar de prática para dar consistência ao discurso ou mudar o discurso para sustentar a prática. E se não conseguimos isto, qual a consequência?
Parece que nisto consiste a verdade da expressão: a verdade doi. Doi quando a razão reconhece a necessidade lógica de mudar a prática de vida, porque esta já não se sustenta no discurso. 

Quero dizer: considera-se como verdadeiro aquilo que corresponde ao seu modo de viver, sem admitir que tal "verdade" diz respeito apenas a uma parte do discurso que se pretende universal; exatamente aquela parte que interessa para corroborar o modo de vida escolhido, de maneira que a generalização do discurso feita a partir da tal perspectiva não pode ser universalizada, tampouco o modo de vida correspondente.
Por isso, vale pensar para aprender a cada dia. Mas também vale sorrir para não adoecer ...