quinta-feira, 8 de março de 2012

À MULHER

Para além das minhas mulheres: filhas, princesas, francesas, pequeninas, meus amores!
A vida seria sem graça sem você, MULHER: de filha a mãe, de inocente a sedutora, de namorada a amante; pela vida que geras e pela graça que dás ao prazer de te fazer feliz, no seu Dia e para todo o sempre!
AMEM e amém!!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Educação de Pais e Filhos

Tenho dito que nossas crianças acreditam que pela autoridade de pais teríamos também a autoridade de “sábios”. E nós nos valemos disso. Dificilmente conseguimos descer do pedestal de autoridade que elas nos proporcionam. Contudo, ele se torna tanto mais alto quanto mais certezas colocamos em nossas respostas. E quando os filhos, no seu saber infantil, questionam nossas certezas, geralmente os corrigimos dizendo: Isto não é pergunta pra criança! Ou: Ainda não chegou o seu momento de saber disso! Ou até mesmo: Eu sou seu pai! Como se disséssemos: quem sabe, aqui, sou eu, você não tem que duvidar; só obedecer
Entretanto, não percebemos que quanto mais alto o pedestal de autoridade paterna, maior a distância entre pais e filhos. Daí, como eles podem constatar o nosso ensinamento? A quem eles podem recorrer? Restam-lhes os colegas da rua, que lá estão com as mesmas dúvidas, porque certamente já sofreram o mesmo distanciamento sob o pedestal de seus pais. Então, a fome de saber os coloca à mercê dos mais velhos, mais experientes. E agora?! Que fazer? A quem reclamar a educação dos nossos filhos? À Escola? E quanto à educação dos pais?
O papel da Escola não é a educação prática da vida. A Escola nos prepara para a vida teórica: os conceitos, os nomes corretos das coisas, a classificação dos seres, o conhecimento da Natureza, a explicação dos fenômenos do mundo, os modos corretos dos usos da língua que falamos, os modos de quantificar coisas, aumentar, distribuir etc. Em suma, prepara-nos para atividades técnicas, profissionais. No entanto, as pessoas vivem independentemente desse saber teórico. ...Por vezes até, possuir tal saber não significa viver melhor do que quem possui apenas o saber prático, o saber da boa relação com os outros, da responsabilidade com o mundo.
Assim, talvez seja um tributo muito alto atribuir aos pais a responsabilidade pela má educação dos filhos. Mas, considerando o princípio segundo o qual conhecer é poder, o pai, que de antemão conhece mais que o filho, sobre este ele tem poder de ensino. Ora, quem tem o poder tem também a responsabilidade sobre a educação. Em outras palavras: quem detém mais saber detém também a responsabilidade do educar.
Entretanto, talvez ainda se possa alegar que os pais, embora detenham mais saber que os filhos, infelizmente, nem sempre têm a consciência de tamanha responsabilidade: educar bem os filhos, ou seja, prepará-los teórica e praticamente para o mundo, o qual carece ser melhorado para as futuras gerações. Mas, em que ou como ele vai melhorar se as pessoas não se tornarem melhores? Ocorre que às vezes os instruímos nas melhores escolas, com o máximo de teoria, mas falhamos na prática. Todavia, às vezes os instruímos com o melhor de nossa prática, porém desprovida de uma teoria que a justifique. Ora, geralmente, o melhor de nossa prática diverge da prática comum do mundo. Por isso carecemos de uma fundamentação teórica.
Então, estamos sós: só nós pais e nossos filhos. A quem podemos reclamar tal educação integral? Como integralizar a educação prática da família com a educação teórica da Escola, se algumas famílias sequer têm noção da responsabilidade dos pais na educação? Afinal, se a educação dos filhos está ruim, deve-se à má educação dos pais. Ora, reclamamos aos pais a falta de educação dos filhos, mas a quem reclamar a falta de educação dos pais, como cidadãos? Eis uma questão política disfarçada de ética. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Versos e Ventos


E eu te fiz mil versos 
Que se foram no tempo
Sem serem lidos
Passaram-te como o vento
Embaraçando-te
E causando arrepios
Agora vagam a ermo
Em cantos 
De versos
Perdidos
Na vastidão do deserto
Da memória 
Dos desencantos
vividos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Amor e Carícia: ou Quase

Desculpa! Apenas quero lhe falar
Pois nem tenho quem me ouça
Por favor, não se constranja em saber:
Ontem, mais uma vez
Seu nome quase me escapou
Da boca
Aos lábios de outro amor
Por pouco não se fez injustiça
Ao prazer de quem não se culpa
No sábio riso armado
Da amante amada carícia...
(K. E.)


sábado, 5 de novembro de 2011

Aluno e Criança

Parece-me que os alunos que só se preocupam com a nota a ser atribuída pelo professor, como resultado de sua avaliação, são análogos às crianças que se interessam pelo dinheiro que costumam receber como presente dos avós ou tios. Ambos, aluno e criança, parecem acreditar que aquele é o maior e melhor objetivo da sua experiência.
Isso significa que tanto o professor que adora dar nota a alunos, para que eles o incluam na lista de professores bonzinhos, quanto o parente que utiliza dinheiro como presente a uma criança, para compensar o tempo e carinho que não lhe são dedicados, ambos não percebem que estão apenas criando uns viciados em pedir: - “Professor, preciso de 8, pra passar”. “Tio, me dê 1 real”. “Professor, seja bonzinho, senão vai ficar todo mundo reprovado”. “Ô, tio, se você não me der eu não vou mais encher a minha porquinha”. “Professor, o trabalho vale quanto?”. “Mãe, você me dá quanto pra eu limpar minha mochila?
O aluno, então, já não faz mais qualquer atividade que não seja valendo nota, assim como a criança, que  sempre pede uma nota ou uma moeda. Isso, mesmo quando a tarefa é dever deles próprios, a qual visa à aprendizagem educacional ou para a vida. 
E o pior é que o educador está deseducando. E o parente também. E no final, todos reclamam que há uma crise de valores, porque a educação não serve mais para nada. E ainda acusam a justiça, a política, o governo, sem lembrar que todo esse sistema é reflexo do que seus educadores fizeram com aqueles e do que estes fazem com os seus educandos, ou seja, com aqueles cuja aprendizagem está sob sua responsabilidade: criança e aluno.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Perda de Memória?

Às vezes desconfio que estou com perda de memória.
Nem me lembro porquê. Por isso não sei se perdi ou se me roubaram...
Mas desconfio, assim como desconfio que estou ficando velho.
Tal como desconfio que ainda vou morrer... Por que será?
O pior é como isso afeta o humor!
Às vezes chego a xingá-la.
Quando tento encontrar algo e não consigo, eu logo desconfio que é culpa dela e lhe digo: Ora, vai à merda!
Mas não tem jeito. Ela sempre me responde: ...Quem?!!
E o pior é que eu nem lembro mais...

domingo, 9 de outubro de 2011

Educação Mítica e Racionalidade

Ponta do Seixas, João Pessoa-PB [Google imagens]
Certa vez, num banho de mar na Praia do Seixas, em João Pessoa, observando aquela imensidão de água, Ariadn Raílla (minha filósofa aos 5 anos) aproveitou para me perguntar sobre uma história que ouvira acerca da origem da grande Lagoa do Bonfim, que conhecera na Grande Natal. Ela queria saber o que havia de verdadeiro em torno de uma suposta cobra que teria engolido uma menina, ou de uma criança que teria se transformado em cobra e que viveria até hoje na lagoa. 
Curioso pelo que possivelmente ela quereria saber, observei-lhe que, certamente, há pelo menos duas versões dessa história: uma que diz que a criança teimou com a mãe e foi engolida pela cobra; e outra segundo a qual uma menina teria se transformado numa cobra. 
E comecei: – Contam os antigos que quando ainda não existia a Lagoa do Bonfim, mas apenas uma pequena cacimba lá naquele lugar...
Então a filósofa perguntou: – O que é uma “cacimba”?
Ora... Você sabe o que é uma poça de água, como aquelas pequeninas lagoas que ficam nas ruas de barro após uma chuva?
Sei. – respondeu ela.
Pois bem – retomei –, uma cacimba é uma lagoinha, como uma poça d’água, só que com água jorrando de dentro da terra. Entendeu?
Claro!
– ...Pois dizem que uma menina queria ir brincar na cacimba, mas a sua mãe não permitia. A mãe falou que era perigoso, uma vez que lá morava uma cobra grande pronta pra pegar criança teimosa. Apesar disto, a menina aproveitou-se de um descuido da sua mãe e foi às escondidas. Em lá chegando, pôs-se a brincar prazerosamente, sozinha, tomando banho e batendo na água com o fundo externo da sua vasilha. Uma versão conta que ela estava sentada numa pedra à beira da cacimba, enquanto brincava, e não percebeu que o nível da água subia inundando tudo ao redor e que, por conta da sua desobediência para com a sua mãe, a menina transformou-se numa cobra grande que ainda hoje vive na lagoa. 
Outra versão conta que a pedra em que a criança estava sentada, ao ser encoberta pela água, transformou-se numa cobra pela qual a menina foi imediatamente devorada enquanto todo aquele baixio era alagado transformando-se na lagoa que é hoje. 
Ariadn Raílla: Lagoa do Bonfim, São José de Mipibu-RN
Outros ainda crêem que, na verdade, aquela pedra era uma cobra adormecida, que despertou com o barulho da vasilha e com a água banhando-a, pelo que, raivosa e faminta, engoliu a menina. Em suma, o que há de comum entre essas versões é que a teimosia da criança marca a origem daquela lagoa onde até hoje, conforme acreditam, vive a tal cobra, como o bom fim do castigo a quem desobedece à mãe naquela região.
A pensadora, então, na sua sapiência pueril, perguntou: – Mas isso não é verdade não, é? É apenas uma história para criança não teimar com a mãe, não é?
E eu, percebendo assim o que ela realmente queria saber, acrescentei: – Realmente não é verdade. É apenas um mito, isto é, um modo simples de educar um povo: contando-lhe histórias bonitas que servem para explicar a origem das coisas importantes para a região, como aquela lagoa; e provocando nas crianças o medo de desobedecer à mãe.
Ah! – ilustrou-me o seu raciocínio – Quer dizer que não é verdade, mas se a criança teimar pode acontecer com ela, não é?!
Isto me fez entender como o discurso mítico faz parte da racionalidade infantil. Pareceu-me claro o quanto a criança é capaz de compreender o que é dito racionalmente, mas ao mesmo tempo se apraz com certa leitura de mundo que fala de medo e desejo e de suas consequências na formação do nosso comportamento. Embora reconhecendo tais histórias como “mentiras”, sua racionalidade reconhece também o valor que elas tem na própria educação, desde que a razoabilidade do mito seja explicitada.
Por isso eu concordei com ela, dizendo: – ...De certo modo sim. Não que ela se transforme em cobra ou que seja engolida por uma, mas que ela pode, de fato, ser ferida por algum animal ou planta e, apavorada, não resistir; assim como, uma vez assustada, a criança pode se descuidar, acidentando-se sem condição de sobreviver sozinha. De qualquer maneira, há sempre perigo para uma criança brincar isolada onde a água é mais volumosa. 
No entanto, Ariadn também sabe que nem sempre isso pode ser dito a uma criança de modo tão explícito. Pois, sem a experiência da dor, o desejo inibe qualquer noção de perigo. E o que desperta a atenção é o medo do desconhecido.