terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Das Dores


Maria das Dores
Por que Das Dores?
Não tinha outras Marias que ela pudesse ser?
Ela amava as plantas
As rosas mais simples, as flores
Mas Maria das Dores?
Ela tinha mesmo que ser?
Por que não só Maria?
... Como ela queria ser chamada
Já que toda Maria vem por sofrimento amparada
Precisava adicionar o tormento?
Maria do Livramento?!
Até Maria das Lágrimas, Madalena poderia
Pois por tudo chorava
Pela menor alegria

Maria do Socorro
A todos socorria
Maria Doce, Maria Cândida
Muito bem caberia
Maria de Jesus, olha que pura verdade
Foi para ele que ela se despiu de toda vaidade
Talvez para ver se menos sofria

Maria dos Milagres
Que com tanta gente e pouco dinheiro
Ninguém morreu
O prodígio ela mesma fazia
 
Maria do poder
Essa é invenção minha
Mas poderia ser
Mesmo frágil ela tinha muito
Ela podia
Não inventam por aí outras falsas Marias?
Homem, eu acho que só não teria que ser
Das dores
Estupidez! Tenham dó!
Isso é nome de gente?
Isso é nome pra marginal
Viver doente, com dor de dente
E não preocupar a ninguém.

Agora, olha só que legal
Maria da Glória, minha sogra
Outra mãe que eu tive, não natural
Maria das Vitórias, nome forte!
Não condizia seu porte,


Mas mesmo em dores a tudo vencia

Maria das Graças
Tantas graças alcançadas
Se não muito engraçada
Mesmo sem entender nada
Mesmo a se condoer
De toda tolice sorria
Por qualquer piada

Maria dos Remédios que sabia fazer
Com sábias e simples palavras
A todos dizia
Para qualquer sofrer
Só não tinha remédio pra ela, coitada!
Caramba! Quase digo um palavrão
Não dá pra entender
Já foi, é melhor não dizer
Ela não gostaria do som.

Maria dos Prazeres
Esse é bom!
Pergunte ao meu pai!
Foram seis
Poderiam ser mais
Todos com prazer
Mesmo assim Imaculada, Livramento,
Também caberia

Como cantava Milton Nascimento
Maria Maria
Poderia até ser
Era tudo que ele dizia
O que é que teria de mais?
Maria traz paz
Dobrada...
Ela se desdobrava com o seu jeito de ser

Você ria?
Porque não era você
Que trazia além do triste nome
Desde menina a sina de doer
Desculpa a quem desculpa couber
Dá pra aceitar até
Só não dá pra entender
Maria da Penha seria para se defender
Maria da fé... Que fé!
Acredita?
Com que tu achas que ela resistiu tanto tempo de pé

Outra mãe minha poderia:
Maria Nazaré
Maria Bonita, por fora e por dentro
Agora eu me entalo
Eu me arrebento
Pergunta a Gonçalo
Olha para os seis filhos

Parece que juntaram as dores dessas tantas Marias
E lhe colocaram
Então seria Maria Grande
Grande Maria!
Porque tudo cabia

Maria Mãe, ou Mãe Maria
Que lindo! Não sabes que mãe ela foi
Por mais que te digas tu não saberias
São inúmeras Marias
Levariam dias para serem citadas
Nomes de tantas outras santas Anunciadas

Qualquer outra lhe identificaria:
Maria da Conceição
Maria da Paz, Maria Cândida
Maria do Carmo, Maria Pureza
Maria do Céu onde está agora
Maria Tereza, Maria da Aurora
Maria da Hora - era lenta
Maria Da Guia, Maria Inácia
Que já nasce benta
Maria Benedita
Bendita Maria

Das Marias depois das dores
Tem outra que ela abominaria
Maria Rita
Mas pula essa parte
Não sei nem por que disse
Concorda comigo, Nice?

Com muita calma e muito amiúde
Tudo fazia
Concorda comigo, Maria de Lourdes?
Se fosse Beatriz?
Essa quem opina é Chiquinho de Assis
Maríliam, o que é que tu achas, William?
Marrion é Mariazinha em francês
Enobrece o som
Fala alguma coisa Wilson

Nalvinha, a gente nunca a chamou de mãinha
Ela nunca se incomodou
Talvez pelo amor à irmã tão querida
A quem, tão mãe, tão Maria
A tia Mãinha que nos guardou a vida

Mas de todas as Marias
Sabe a que me chama atenção?
E eu lhe cognominaria:
Maria da Resignação
Cumpriu sua grande e dolorosa missão
Subindo e descendo seus montes de males
Para nós foi tão antes
E foi-se tão... Resignada
De tudo ciente que por Deus foi chamada
Cruzando suas sombras e seus vales

Sim
Sou com orgulho
Um desses seis filhos
Desses seus frutos
O terceiro é Sales
                             Homenagem do meu irmão poeta à nossa mãe.
Sales de Oliveira  (01/2013)

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