sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Mina Lógica

Ahmina Raiara foi a minha primeira filósofa. Na verdade, foi com ela que fui instigado a pensar sobre a inteligência pueril. Observando-a foi que entendi aquela primeira frase da Metafísica de Aristóteles: “O homem tem por natureza o desejo de saber”. 
Seus questionamentos e observações eram tão interessantes que sempre que eu os comentava, o amigo Bispo dizia: “Homem, anote isso! São ótimos elementos para uma oficina de Filosofia para Criança!”. No entanto, hoje fico aqui tentando relembrar algumas daquelas que, inclusive, já foram ilustrativas em sala de aula. 
Uma das melhores que já vivenciei foi sobre o raciocínio lógico. Talvez ela tivesse uns cinco ou seis anos de idade quando, numa discussão com sua mãe, me fez rir sozinho com sua argúcia argumentativa.
À noite, ao chegar do trabalho, cansado, mesmo assim ficavam as duas querendo conversar comigo: Ahmina e a mãe. Certa vez Ahmina quis contar-me algo que ela ouvira de uma coleguinha durante o dia. Uma notícia que certamente já havia contado para a sua mãe. Entretanto, esta também tinha algo a me contar e queria aproveitar o mesmo momento. Então, de tanto insistir naquela conversa, Ahmina provocou-lhe uma resistência, que reclamava: – Também... você acredita em tudo o que ouve. E Ahmina retrucou: Acredito não. A mãe reforçou: Acredita sim, que quer contar a seu pai.
Ela, então, rebateu: E quando a senhora conta a painho as coisas que ouviu das suas amigas, é porque acreditou?
E assim ela cessou a discussão, deixando a mãe em aporia.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Porta-jóia da Amizade

 Duas meninas conversavam empolgadíssimas. Não falavam sobre amizade, mas se consideravam muito amigas. Porém, como sempre, uma parecia ter muito mais entusiasmo em falar do que a outra em ouvir. O tema era jóias e bugigangas. Então, certamente falava mais aquela que tinha mais o que dizer sobre jóias, porque, possivelmente, as tinha em maior quantidade. A outra, por sua vez, parecia sentir mais prazer em ouvir, meio encantada com tanta beleza em exposição pela boca da sua amiga; embora, por vezes, parecesse também querer falar um pouco do pouco que tinha em bugigangas que ela mesma confeccionava, mesmo que fosse apenas para desfila-las em reverência à joalharia daquela.
De repente, a mais ouvinte perguntou para a mais falante onde ela guardava suas jóias. Ao que ela respondeu: – No meu quarto.
Sim, mas em quê?
Num porta-jóias que minha mãe comprou.
Aí a amiga achou o filão sobre o qual tinha mais o que falar, pois havia produzido ela mesma a sua própria caixinha de jóias: bela, prática e econômica. Então a esbanjou compensatoriamente quer pela beleza, quer pela praticidade, quer pela economia e até pela autoridade de artesã. Parecia simplesmente a sua jóia rara feita para guardar bugigangas.

Impressionada, a outra quis comprar-lhe a peça, argumentando sê-la mais adequada para guardar preciosidades do que quinquilharias. Ao que a amiga retrucou: – Obrigada pelo interesse! Mas acho que você precisa aprender a valorizar mais o que não tem preço!
Observei, pois, que enquanto a menina ouvinte tratava a amiga falante como se fosse a sua própria caixinha de jóias, peça construída com muito esforço, na qual ela tentava repousar seus tristes segredos, talvez até apenas para não a deixar vazia, a amiga falante, por sua vez, via a amiga ouvinte igualmente ao seu porta-jóias, na verdade uma bugiganga pelo que fora pago um preço: útil! Porém, como mera vitrine para exibir suas posses.
Então fiquei pensando: será que a amizade é assim como uma caixinha de jóias: pronta para guardar e expor os penduricalhos que apenas passam por ela, mesmo quando eles se acham mais valiosos que ela, tendo-a como uma bugiaria? O que é amizade, afinal?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Entrevista Filosófica


Ariadn Raílla simula uma entrevista escolar e diz: “Eu gostaria de saber algo sobre a Filosofia: o que ela é, como é fazer Filosofia... coisas desse tipo.
É fantástico participar de uma brincadeira tão séria! Mas confesso que fiquei sem saber o que responder ou como responder. O interessante é que de repente eu me vi traindo os meus instintos: pois costumo sempre lhe responder a perguntas sérias, brincando. Naquele momento, porém, a brincadeira me chamou à seriedade da questão: como dizer a uma criança de sete anos de idade o que é Filosofia?
Para escapar à tentação de elaborar um discurso filosófico incompreensível a um leigo, geralmente a pergunta é simplesmente devolvida: – O que você acha? Então, quando retrucado: – Você não acha que...? Ou: Será que...? Às vezes no condicional, em tom hipotético: – E se...!? Contudo, aquela entrevista não me permitia fugir da pergunta. Era preciso assumir o papel de entrevistado e respeitar o da entrevistadora, não frustrando a sua expectativa de uma resposta compreensível à racionalidade de uma criança.
Então, arrisquei: – A Filosofia é um saber que lida com o pensamento.
E ela, como filósofa nata que é enquanto criança, quis entender o que é lida. Isso me fez perceber que aquele discurso não estava tão claro quanto pretendia. Mas não foi difícil dizer-lhe que lidar significa trabalhar, ocupar-se com alguma coisa. E a coisa com a qual a Filosofia se ocupa, o seu objeto de trabalho, é o pensamento. É com isto que ela lida. 
Expressando um ar de meditação, após alguns segundos ela resolve conferir o seu entendimento, reforçando: – Ah! É como quando eu fico parada, pensando: me lembrando de uma brincadeira ou imaginando uma roupa prá vestir...
Daí a resposta foi meio seca: – Não. Não é bem assim. Se fosse, todo pensamento seria filosófico. Mas, ainda me negando a responder prontamente, talvez para compensar essa resposta, sugeri-lhe que haveria uma outra pergunta a ser feita. E antes mesmo que eu dissesse qual seria, ela completou: – Então, qual é o tipo de pensamento... que interessa à Filosofia?
Confesso que aquilo me deixou maravilhado, como se fosse eu próprio que estivesse filosofando, pois naquele momento me apercebi numa conversa filosófica. Veio-me até uma vontade de lhe sugerir a leitura do texto Pensando o Pensamento[1], para acrescentar que no primeiro caso – lembrando uma brincadeira – podemos dizer que se está usando a memória, enquanto no segundo – no tocante à imagem de uma roupa – estar-se-ia usando a imaginação. Ora, memória e imaginação, a rigor, são instrumentos do pensar; porém, isoladamente, não se constituem no pensamento propriamente dito, isto é, no pensamento humano, pois outros animais também usam tais faculdades. Mas seria muita covardia. Eu não poderia fazer isto nem com um entrevistador adulto, numa entrevista séria, tampouco numa brincadeira. Aliás, tudo o que era dito era anotado: perguntas e respostas.
Assim, antes que ela se cansasse e me deixasse falando sozinho, no meu maravilhamento, fui direto ao que interessava: – A Filosofia se ocupa de pensamentos questionadores, como esse seu, que pergunta pelo que ainda não conhece, querendo saber. Por isso também se diz que a Filosofia busca sempre o conhecimento.
E ela questiona: – Então, fazer Filosofia é só perguntar? 
Na verdade, não é só isso. Para fazer Filosofia não se pode ficar apenas nas perguntas. É necessário também tentar respondê-las. Mas perguntar já é um bom começo.  
Daí, encerrando as suas anotações, ela agradeceu dizendo: “Isto foi uma entrevista muito legal[2]. Só então é que eu percebi que aquela prazerosa conversa filosófica motivada por uma séria brincadeira não tinha outra fonte senão a própria entrevistadora, instigada pelo desejo nato de conhecer. E ela ainda diz: “Talvez quando eu crescer eu queira fazer Filosofia”. ...Quiçá!



[1] W.C. Oliveira. Pensando o pensamento: uma introdução ao filosofar. Expressão-Revista da Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte, Mossoró, RN, ano 22, n° 5, p. 149-52, maio/1991.
[2] Digitado pela própria, para concluir o texto após conferi-lo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Qual o Sentido da Vida?

Há quem diga que “os poetas vão salvar o mundo!”. Diga isso a um Poeta e provavelmente ele indagará: quem disse que eu quero salvar o mundo? Eu quero é viver. Apenas faço da poesia a minha expressão de vida. Vivo a poesia. Para que salvar o mundo? Não posso sequer salvar a mim mesmo! 
Essa tarefa não é poética. É política. É religiosa. Numa querem salvar o mundo; na outra, o humano. Mas quem pode dizer que salvou alguém? No fundo o que todos querem é viver, é ser feliz. Inclusive o poeta. O poeta apenas exprime sua vida. ...Sua, minha, dele, nossa... Assim também o político decide a sua vida e o religioso a salva.
Decida! Salve-se se quiser! Viva!
Pois não nos adianta procurar o sentido da vida. Nenhum poeta nos mostrará tal sentido. Nenhum político. Nenhum religioso. Simplesmente porque a vida não tem sentido. O sentido da vida é o que nós lhe damos: com a poesia, com a política, com a religião... Porque vida é atividade. É energia. É magia que criamos sem saber. Pois vida é também potência, possibilidade, poder.
O sentido da vida? Não está na vida. Está em quem vive. Está em saber viver. Feliz de quem dá sentido à vida.
Quer emprestado um sentido para a vida? Procure um Poeta, siga-o; não como salvador do mundo, mas como pessoa que poetiza a vida porque a quer bela, suave. Quer salvar o mundo? Procure um Político, siga-o; não como um salvador, mas como pessoa que politiza a vida porque não aceita determinação. Quer salvação? Procure um Religioso, siga-o; não como um salvador, mas como pessoa que transcende a vida porque quer viver mais por muito mais tempo.
O sentido da vida? Pobre dos seres inanimados, pois não podem lhe dar sentido. Mas triste do ser sem sentido, pois, embora tenha vivido, não aprendeu a viver; por isso se desanima. Então, viva! “...Animai-vos vós animais que se amam: pais, filhos e espíritos sãos! Pois os corpos vão e os amores ficam em ânimo são, dizendo: Amem! Amém!p



p Excerto do poema Das Dores de Maria: Coelho Di Will/1999.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Lições Para Uma Droga de Vida



Certa vez eu vi D. Hélder Câmara, então arcebispo de Recife, dizer: "o jovem se droga porque acha a vida uma droga". E fiquei a pensar na beleza e na sabedoria daquelas palavras. Apesar daquela beleza, contudo, eu ainda me perguntava: mas, o que é uma droga? Pois, o sentido corriqueiro de que "a vida é uma droga" eu até entendera, de tanto ouvir falarem, geralmente quando não se conseguia alcançar algo desejado: ISSO É UMA DROGA!. Entretanto, se a droga expressava algo tão ruim quanto a insatisfação de um desejo, como alguém poderia buscar nela uma satisfação? Que tipo de satisfação? Ou, em que sentido ela era tão ruim? Isto, realmente, eu ainda não entendia. Parecia haver uma contradição ali. 
Eu confesso que até desejei experimentar alguma droga, a fim de compreender o que ela causava. Mas, felizmente, eu não achava a vida uma droga. Por isso, preferi aprender observando o que acontecia com os outros. Certamente eu não tinha desejos insatisfeitos. Embora fôssemos pobres, eu tinha pai e mãe e cinco irmãos com quem brincar. Tinha amigos com quem conversar e me divertir, tanto no bairro quanto na escola, embora alguns deles usassem droga. Tinha parentes que demonstravam afeto e respeito por mim. Meu pai, aliás, apesar de fumar, não o fazia em nossa presença nem aceitava sequer que manuseássemos cigarro. Até parecia uma arma de fogo, cujo perigo exigia sempre o cuidado de um adulto. 
Felizmente, meu pai não bebia alcoólicas. Lembro-me que eu achava ridículo pessoas embriagadas. Eu até considerava o mal do fumante menor do que o do alcoólatra, devido à embriaguez. Certamente, porque eu não via meu pai cometer qualquer mal por causa do cigarro, como via outras pessoas o fazerem devido ao álcool. Mas eu nem percebia que isso também era um tipo de droga. Infelizmente, meu pai já se drogava, embora respeitasse a nossa presença. Sem que percebêssemos, ele já era viciado, apesar do seu vício não afetar a ninguém, exceto a si próprio.
Não obstante o fato de ele fumar e termos amigos que já fumavam, nenhum de nós quatro irmãos nos iniciamos no vício; nem as mulheres, claro! Certamente devido à nossa mãe, que não aceitava tal atitude. E creio até que era ela que impunha a nosso pai o respeito de não fumar na nossa presença, para não dar mau exemplo. Tais amigos, porém, posteriormente viciaram-se em outras drogas que os levaram à morte.

Lições de Valor

Minha mãe era forte na nossa educação, mesmo quando chorava por raiva ou medo de nos desviarmos dos seus valores. E nem eram tantos, mas eram sábios. Eu detestava desapontá-la, vê-la triste ou com raiva. Assim, aprendi que não devemos fazer sofrer a quem amamos.
Ela era semi-analfabeta, mas cuidou para que estudássemos. Ela nos ensinou o que não se ensina na escola nem nas ruas. Na escola aprendemos a calcular, falar e escrever corretamente e discutir sobre o mundo teórico das coisas da vida. Nas ruas aprendemos coisas sobre a vida prática: a amizade, a violência, auto-defesa, aventura e sobrevivência, inclusive sobre as drogas da vida. 
Felizmente, como meu pai provia a nossa sobrevivência, minha mãe providenciava nossa vivência nos ensinando respeito ao Outro: não importando se era ao irmão, amigo ou desconhecido. Por isso, embora brigássemos na rua, nós sabíamos que ela não devia saber. Pois, diferentemente de outras mães que ameaçavam bater no filho se ele apanhasse na rua, mamãe alertava: "se brigar na rua e apanhar, quando chegar em casa apanha novamente; e se bater, também apanha". O pressuposto era:  eu não quero é que briguem. Assim, ela nos ensinou a dignidade, o respeito a nós mesmos, de cada qual por si próprio.
Eu admirava como minha mãe conseguia respeitar o gosto de cada um de nós, mesmo sem a condição material para satisfazer o gosto de todos. Lembro-me como ela providenciava alimento diferente para aquele de nós que não gostava da refeição do dia. E sua justificativa era simples, para que os outros não ousassem querer o que era do outro: ele não gosta do que vocês gostam. E não adiantava reclamar, porque sabíamos que o seu senso de justiça valia para todos e para cada um. Então, nós aprendemos a nem desejar o que é do outro.
Pela alimentação, também, ela nos ensinou outro valor simples, do qual não abria mão e dizia ter aprendido com o seu pai: todos à mesa para as refeições junto com o pai. Lembro-me, inclusive, de como todos permanecíamos à mesa, após o jantar, ouvindo rádio; ...depois televisão mudou isso, mas, graças a esse convívio, já estávamos preparados para sair de casa à noite para estudar, brincar ou namorar.
Num certo período, meu pai trabalhava o dia inteiro e ainda estudava à noite, mas compartilhava conosco algum tempo do final de semana: levando-nos ao seu local de trabalho, ou para assistir jogo de futebol ou para jogarmos com seus amigos ou ele conosco e nossos amigos, na praia. Eu adorava perceber a admiração que nossos colegas e os dele tinham pelo meu pai jogar entre nós. Além disso, às vezes ele nos levava para visitar nossos parentes na zona rural. E lá era a vez de ele nos ensinar o respeito aos outros, inclusive aos animais, assim como o auxílio aos mais necessitados. Eu me orgulhava disso! 

A Droga da Carência e a Carência da Droga

De fato, nossa vida não era uma droga! Nós não tínhamos desejos insatisfeitos. Nós aprendemos a não desejar coisas que não satisfaziam, que só faziam bem a nós próprios, num prazer individual, subjetivo e egoísta. Afinal, nós tínhamos sempre alguém com quem compartilhar nossa dor ou nosso prazer. Nesses termos, parece que o sábio D. Hélder tinha razão, pois nós aprendemos a não sentir a droga da carência.
No entanto, vale lembrar que, tecnicamente, alguns organismos têm mais resistência ao vício do que outros, a certas drogas. Por exemplo: alguém pode embriagar-se com uma única dose, enquanto outro bebe dez para o mesmo efeito. Além disso, a droga não pode ser pensada simplesmente com referência àquelas ilícitas pelas quais se cometem crimes. Pois, embora elas causem algum prazer, o que há de comum entre elas e a droga da vida é o desprazer ao cessar seu efeito: a dor de frustrar o desejo, a qual gera o vício em busca do prazer prometido. E o vício é a necessidade do fútil; daquilo cujo bem é cada vez menor quanto maior é a carência.
Em outras palavras, o bem ou prazer torna-se tão virtual quanto mais real é a dor ou necessidade. Por isso o vício faz tanto mal, independentemente de qual seja a droga: fumo, álcool, pó, pedra, remédio, tóxico, que adentram o corpo pelas vias respiratórias ou venosas; tanto quanto aquelas de aluguel que acessam a mente pela visão ou pelos ouvidos ou pelo corpo inteiro, como TV, DVD, videogame, internet, fofocas, jogos de azar, música fútil e até sexo de orgasmo duvidoso ou qualquer outra coisa cujo prazer é injustificável, por ser virtual, egoísta ou exagerado. 
Por isso, penso eu, que se o domínio do prazer e da dor não for aprendido desde a infância, na relação de respeito humano entre pais e filhos, amigos, adultos e crianças, através da satisfação afetiva e mútua, infelizmente, estar-se-á criando uma carência pessoal, cuja satisfação tenderá à virtualidade, para quem a vida se tornará realmente uma droga.

domingo, 17 de outubro de 2010

Eleições 2010: a lição e o demo

Numa coisa as más línguas tem razão na crítica ao Governo Lula: o PT não tinha o direito de banalizar a corrupção. Pois, a cúpula envolvida em escândalos manchou o nome do Partido, que não dissociava Política e Ética. 
Por causa disso, militantes que fundaram a legenda nas diversas regiões do País, e que almejavam uma eleição desde quando elegemos Lula, tiveram  o seu futuro político frustrado nas urnas, devido à própria vinculação com o PT. 
Curiosamente, este assunto não é o mais explorado pelos demos e psdbistas na oposição, visto que eles mesmos ao povo ensinaram que "no poder todos roubam". No entanto, o demo ainda tenta o povo, roubando-lhe a boa fé, valendo-se da ignorância popular, que não percebe a contradição ao discurso republicano que eles dizem defender constitucionalmente: um Estado laico, separado de qualquer religião; para não incorrer no mesmo condenável atraso das teocracias orientais.
Se apesar de tudo eles retornarem tão cedo ao poder, resta o consolo de que o povo roubado perceberá a diferença entre os dois tipos de governo: quem governa para o usufruto de que tipo de gente; quem governa para acrescer o bolo dos ricos, sem nada acrescer ao País, e quem governa para repartir o pão entre os pobres, dando dignidade aos brasileiros. Só a cegueira do preconceito não percebe que ao repartir a riqueza com os que nunca a tiveram, ela retornou para os que dela já dispunham. E isso fez o Brasil crescer resistente à prova da crise mundial, cujos efeitos ainda perturbam os países mais ricos. E também fez o Brasil reapresentar-se no mundo, não como pedinte, mas de cabeça erguida, com soberania, inclusive na assistência à paz. 
Entretanto, quantos milhares de brasileiros ainda sofrerão fome (e sede de justiça) e por quanto tempo, para que alguns ditos "escolhidos" elitizem a democracia pelo poder de consumo? Quem primeiro aprenderá a lição: o PT, os demos (DEM, PFL, PDS, UDN) ou o povo? E a que custo: social, político ou humano?
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