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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A GRAÇA DO TEMPO

Parafraseando o meu amigo Antônio Jorge,
Tic-tac tic-tac 
o homem marca o tempo
Tic-tac tic-tac 
o tempo marca o homem
Tica e taca no homem
E a mulher marca o tempo 
Que nos consome

Assim tornou-se adulta a criança minha 
E marcou o seu tempo em sua beleza
Da princesa filha à filha princesinha

Assim principia a princesa sua vida a duas
Sai da infância deixando-nos sua mais bela prenda

Prendendo-nos a aprender com quem a substitua

E eis que nos enche de graça
Com o melhor que há no presente:
A vida que por nós só passa Quando o passado já não é ausente
E o futuro jaz projetado
No ser que encanta a gente
No verbo que o tempo faz!

domingo, 10 de novembro de 2013

Dar Tempo ao Tempo

Por que se deixar levar pelo tempo?
...Aonde ele me levará, se não à velhice do que já sou?
E o que fazer ao chegar, se tudo o que me apetecia já passou?

Por que dar tempo 
ao tempo?

O tempo não tem nada 
a nos dar, 
exceto tempo.
Como um deus, 
o que ele nos dá também nos tira
Pois, se não o consumimos,
perdemo-lo, 
por ele consumidos.


De que vale deixar-se levar pelo tempo
Se se quer algo fazer  
mais do que ter?
Além de nada lhe dar
Ainda haverá de cobrar
pelo que você não fez 
do seu talento...
pelo seu modo de viver...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Acidentes Acontecem

Minha filha e o namorado dela escaparam ilesos de um capotamento, graças aos cintos de segurança. Mas este não é suficiente para arriscar a vida em velocidade desnecessária.
Diz-se, geralmente, que "acidentes acontecem", assim como dizem que "errar é humano". Isto, porém, soa mais como desculpa de quem não quis pensar no que tinha que fazer e nas consequências de sua ação. Talvez o erro humano seja, até metafisicamente, inevitável, ou incontrolável. Paradoxalmente, contudo, parece quase sempre possível evitar um acidente. 
Quantos animais humanos aprendem com a aposta cruel?
Desde Aristóteles, acidente [symbebekos] é, por definição, o que não é essencial, pois não faz parte da natureza do ser. Se não é necessário, então, nada obriga que ele aconteça. Ora, se nada o impõe, então por que ele ocorre? 
Qualquer acidente tem pelo menos uma causa. E é possível encontrá-las. Evidentemente, é mais fácil e mais cômodo atribuí-las a forças superiores, entidades fantasiosas do bem ou do mal. Mas, isto não explica nem ajuda a evitá-los. Afinal, que justiça divina haveria em proteger um irresponsável que acidenta inocentes no trânsito, por exemplo, quer sejam crianças, anciões ou trabalhadores? Ademais, se as causas são forças incontroláveis, como da própria natureza, então, a rigor, não consiste em acidente, visto que era forçoso, tornando-se necessário seu acontecimento. Na realidade, isto caracteriza o "incidente", uma vez que apenas incide sobre algo, mas tinha que acontecer. 
É como um raio cair sobre uma árvore ou um animal indefesos: eles não tinham como prever. Na verdade, a árvore ou o animal o atraíram. Aliás, só é previsível o que já é conhecido e pensado. Imagine uma manada de zebras a atravessar um rio com crocodilos: alguma aventureira que nade pelas bordas do corredor da morte fatalmente cairá em desgraça na boca de um sortudo e faminto crocodilo. É cruel. Mas é mera aposta. Elas tem que atravessar. E eles tem que comer.
Mas na vida humana não precisa ser assim. Ela tem que ser distinguida da vida animal. Observe-se que o que fazemos no dia-a-dia em muitos casos não é necessário. E se o é, disputamos apenas com as forças humanas ou com o ambiente. O ambiente é previsível. O ser humano nem tanto. Porque o ser humano erra; e suas motivações são várias e inacessíveis se a vida do agente é desconhecida a quem lhe interage. Tudo isto, porém, pode ser suposto, presumido. E como tal, antevisto como medida da ação razoável (com o perdão do pleonasmo semelhante à ação humana [práxis], no sentido grego). Quer dizer: nossas ações precisam ser antevistas, planejadas em função do que é provável acontecer, de modo a se preparar para saber o que fazer se o possível se efetivar. 
O erro humano reside na dificuldade de avaliar todos os possíveis e também na falta de habilidade para reagir a eles. E é ele, certamente, a causa primeira dos acidentes: por ignorância ou negligência. Mas, por que descuidar do que lhe é mais precioso: a vida? A avaliação, contudo, é facilitada pela análise do já ocorrido. E o instrumento para tal é o pensamento. É por ele que se deve observar quais erros causaram determinados acidentes e como é possível evitá-los: por similitude do observado antecipar-se ao provável. Os animais humanos, porém, se negam a pensar. Eles se contentam em olhar as imagens ou contar as histórias, como jornalistas que relatam fatos, sem qualquer análise, potentados de um saber que de nada serve; pois, que proveito se tira disso, senão dizer-se informado? Mas, que formação tais matérias proporcionam à vida humana, cidadã?
Se reconhecemos o erro nos outros, por que temos que os repetir? Por que temos que errar para aprender, se os outros já o fizeram por nós, desgraçando a vida? 
Que aposta cruel! 

domingo, 24 de julho de 2011

Rituais de Passagem

Olhamos a vida como um fluxo contínuo. E é. Ela é una. Mas a vida em sociedade se divide em etapas. O culto a determinadas conquistas nos faz ver a vida do indivíduo marcada por fases. 
É disto que se constitui a cultura: o registro do culto à vida dos indivíduos, num ritual de passagem entre a vida particular e a social, em determinada época; pelo fato de ninguém se realizar sozinho: aniversários, batismos, casamentos, formaturas etc, inclusive funerais, pela dor da morte, todos são cultos à vida. 
Contudo, são apenas ritos de passagem. Pois o indivíduo passa, mas a vida continua. Por isso perfazem a memória de uma sociedade. 
Sabemos o que nos leva ao rito. Mas, aonde ele nos leva? O que vislumbramos na passagem? Tem futuro isto? Afinal, o que isto pode nos dizer de nossa humanidade? 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Stairway to moon


Stairway To Heaven Led Zeppelin


There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven
And when she gets there she knows if the stores are all closed
With a word she can get what she came for

Oh, and she's buying a stairway to heaven

There's a sign on the wall but she wants to be sure
'Cause you know sometimes words have two meanings
In the tree by the brook there's a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiving

Oh, it makes me wonder
Oh, it makes me wonder

There's a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking

Oh, it makes me wonder
Oh, and it makes me wonder

And it's whispered that soon, if we all called the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forest will echo with laughter

Woe, oh
If there's a bustle in your hedgerow
Don't be alarmed now
It's just a spring clean for the May Queen

Yes there are two paths you can go by
But in the long run
There's still time to change the road you're on

And it makes me wonder

Oh

Your head is humming and it won't go, in case you don´t know
The piper's calling you to join him
Dear lady can you hear the wind blow and did you know
Your stairway lies on the whispering wind

And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show

How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one and one is all, yeah

To be a rock and not to roll

Oh

And she's buying a stairway to heaven


http://www.vagalume.com.br/led-zeppelin/stairway-to-heaventraducao.html#ixzz1NW8VpIEE

domingo, 15 de maio de 2011

Dicas do Olhar

Por que me olhas tanto assim? 
...A querer me paquerar?
Não sabes que mesmo sem te mirar eu te observo
E que se não te olho, é apenas para não iludir com o meu o teu olhar?
Achas que isto é paquera?
Como pode sê-la sem um cruzamento de olhares sequer
Conscientes
Disfarçadamente intencionais?


Desculpa!
Se percebes que teu olhar me incomoda
Que prazer sentes em mirar-me incomodamente?
Quisera fosse admiração!
Mas isto supõe respeito
Sem o que, tal sentimento tornar-se-á vão!



Perdoa 
Por que te olho assim
A te admirar!
Se não me retribuis a mirada
Então, desisto!
Aquieto-me, talvez triste!
Mas não quero te constranger


Falar-te, então?!...
Nem há o que te dizer
Que já não te tenham dito
Pois se ainda te agrada o que já ouviste
Lamento, mas nem me vale a pena o risco!


Logo, me calo!

Mas não silencio o pensamento
Para não me perder em querer-te:
Afinal, por que deveria eu te interessar
Se também me ocorrem olhares que não me interessam
Nem mal me fazem? 

E por que deveria eu por ti me interessar 
Se observo que por mim não te interessas?
Se te decepciono
Infeliz ou felizmente
Também é minha a decepção


Resta-me, pois, assistir-te em passeio
Indo-se tal como veio a cena:
...Sem câmera 
Lentamente
Sem a esperança de ainda encontrar-te
Exceto em tantos olhares
Que comigo também hei de guardar-te!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tempo?

Por que se deixar levar pelo tempo?
Aonde ele nos levará, senão à velhice?
E o que fazer ao chegar, se tudo já passou fatidicamente?


O tempo não tem nada a nos dar, exceto tempo.
E, como um deus, o que ele nos dá, também tira
Pois, se não o consumimos, perdemo-lo, consumidos, ironicamente.


Não se deixe levar pelo tempo!
Ele não tem nada a lhe dar
E o que restará, senão a cobrança por como o marcou com seu talento?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Resplendor da Luz

Aurora boreal
Que beleza! O resplendor da luz...
Natural? Como sabê-lo?
Com tanta tecnologia empregada em fotografia, infelizmente, agora só podemos apreciar a beleza das imagens "fotografadas", sem, contudo, sabermos se é realmente o registro de uma cena captadada pelos olhos artísticos do fotógrafo ou se é ficção de sua mente, manipulada pelo artesanato da informática...
Daí porque Chico Science diz: "computadores fazem arte; artistas fazem dinheiro".
Contentamo-nos com a beleza ou questionamos a arte?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dia de Luz


Hoje é 13 de dezembro: dia de sorte para quem ainda não perdeu a visão. Hoje é feriado em Mossoró, onde se comemora o dia de Santa Luzia, a protetora dos olhos, padroeira da cidade.

Será que ela protege os olhos do povo devoto, para não cegarem? Ou, com seu véu, ela simplesmente impede que vejam a realidade?




domingo, 12 de dezembro de 2010

Doze do Doze

Dia doze do mês doze do ano dez do milênio três: contagem regressiva. Estamos vivendo a época certa? Estamos vivendo de modo certo a época em que vivemos? Estamos vivendo? Ou apenas passando pela existência? Quem está marcando o seu tempo para além da sua existência? Como? Quem está marcando a sua própria existência aquém do seu tempo? Para quê?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Primeiro do Último...

CONTAGEM REGRESSIVA: primeiro dia do último mês do último ano da primeira década do primeiro século do terceiro milênio.
Alvorecer na praia de Cabo Branco, João Pessoa, Nordeste do Brasil
Que a luz da razão ilumine as cores dos nossos sentimentos, tornando-nos mais humanos!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Contagem Regressiva

Último dia do penúltimo mês do último ano da primeira década do primeiro século do terceiro milênio. Quem diria?! Haja dias, anos, "ênios", "timos", "eiros" e eiras a cada velha expectativa de nova perspectiva de vida e paz!

domingo, 28 de novembro de 2010

Platão e a Escultura

O Carregador d'água. Esculpido em João Pessoa/PB (58052-197)
Ao ver essa escultura, eu não resisti. Eu tinha que fotografá-la. Ela me remete ao tempo de criança, pobre, em bairro carente, em Natal, onde crescemos precisando carregar água para abastecer em casa. Felizmente o bairro, embora carente das condições sociais, tinha rico manancial aquífero, banhado pelo rio Potengi. Por isso havia diversas cacimbas naturais, verdadeiros veios ou olhos-d'água, brotando constantemente da terra. Daí porque também eram chamadas de olheiros, ou ainda "oieiros".
Ao ver tal escultura, senti que precisava mostrar aos meus irmãos, tamanha representação da luta de casa em nossa infância. Então, passeando com o meu Platão, resolvi fotografá-lo junto à escultura, para mostrar que ela está em tamanho humano normal. Ele conferiu e assinou embaixo o livro de visitas caninas. Ele gostou. Não fez oferenda como as que ele deixa no pátio da igreja. Mas, gostou!

sábado, 13 de novembro de 2010

E Assim Falou Zsalesastuto


Pedra de Seu Chicão no Rio Potengi, Barcelona/RN
Tanto em sonho como na realidade, o que é vivido intensamente faz tremer o corpo, altera o compasso do coração, colore a paisagem, desperta a melodias, aguça o olfato e aquece a pele. Isto é paixão. É o que diz ao nosso corpo que não estamos sós, pois há um Outro que nos afeta. Só precisamos aprender a cuidar desse afeto, como amantes: como aquele que vive afetado pelo viver do apaixonante; que se interessa pelo interesse do interessante; que se importa com o que é importante para o amor do outro. Estes são os amantes. E o amor não é mais do que o cuidado que se tem um com o outro. É por ele que se sonha, que se deseja e se entrega sem pudor, delira-se e vai-se a êxtase. E este é o alimento de toda paixão.