domingo, 10 de novembro de 2013

Dar Tempo ao Tempo

Por que se deixar levar pelo tempo?
...Aonde ele me levará, se não à velhice do que já sou?
E o que fazer ao chegar, se tudo o que me apetecia já passou?


Por que dar tempo 
ao tempo?


O tempo não tem nada 
a nos dar, 
exceto tempo.
Como um deus, 
o que ele nos dá também nos tira
Pois, se não o consumimos, 
perdemo-lo,  
por ele consumidos.


De que vale deixar-se levar pelo tempo
Se se quer algo fazer 
mais do que ter?
Além de nada lhe dar
Ainda haverá de cobrar
pelo que você não fez 
do seu talento...
pelo seu modo de viver...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Amizade, Joias e Bugigangas

 Duas meninas conversavam empolgadíssimas. O tema era joias e bugigangas. Porém, como sempre, uma parecia ter muito mais entusiasmo em falar do que a outra em ouvir. Então, certamente falava mais aquela que tinha mais o que dizer sobre joias, porque, possivelmente, as tinha em maior quantidade. A outra, por sua vez, parecia sentir mais prazer em ouvir, meio encantada com tanta beleza em exposição pela boca da sua amiga; embora, por vezes, parecesse também querer falar um pouco do pouco que tinha em bugigangas que ela mesma confeccionava, mesmo que fosse apenas para desfila-las em reverência à joalheria daquela.
De repente, a mais ouvinte perguntou para a mais falante onde ela guardava suas jóias. Ao que ela respondeu: – No meu quarto.
Sim, mas em quê?
Num porta-joias que minha mãe comprou.
Aí a amiga achou o filão sobre o qual tinha mais o que falar, pois havia produzido ela mesma a sua própria caixinha de joias: bela, prática e econômica. Então a esbanjou compensatoriamente, quer pela beleza, quer pela praticidade, quer pela economia e até pela autoridade de artesã. Parecia simplesmente a sua joia rara feita para guardar bugigangas.
Impressionada, a outra quis comprar-lhe a peça, argumentando sê-la mais adequada para guardar preciosidades do que quinquilharias. Ao que a amiga retrucou: – Obrigada pelo interesse! Mas acho que você precisa aprender a valorizar mais o que não tem preço!
Observei, pois, que enquanto a menina ouvinte tratava a amiga falante como se fosse a sua própria caixinha de joias, peça construída com muito esforço, na qual ela tentava repousar seus tristes segredos, talvez até apenas para não a deixar vazia, a amiga falante, por sua vez, via a amiga ouvinte igualmente ao seu porta-joias, na verdade uma bugiganga pelo que fora pago um preço: útil! Porém, como mera vitrine para exibir suas posses.

Então fiquei pensando: será que a amizade é assim como uma caixinha de joias: pronta para guardar e expor os penduricalhos que apenas passam por ela, mesmo quando eles se acham mais valiosos que ela, tendo-a como uma bugiaria? Afinal, seria a amizade uma joia ou como um porta-joias?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ÂNIMA

Chega a morte
Vai-se alguém
E um corpo exanimado
Deixa em desânimo
Corpos cujo espírito
Em frio exame
Diz "amém!"

Assim cessa a dor
De quem já não se aliviaria
Cessa-lhe o ar da vida
A luz, o som, o sabor...
Finda assim sua agonia da existência
E à porta aberta da ignorância
Que fique a áurea linda
Da divina instância
Que faz da alma essência: 
O amor


Aos mortos vão as flores
E aos vivos, a lição da lide
Antes que a morte chegue
E em desânimo regue as dores
De quem à sorte ocupa a vida
Preocupado com a morte

Anima-te, Amor!
Anima-nos!
Animai-vos vós animais!
Pois os corpos vão
E os amores animam os que ficam
E os espíritos sãos dizem "amem!"
E amém!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Beijo de Sol e Mar

Gosto de quem cumprimenta com beijinho
Bacia de Campos-RJ, foto de Carlos Eduardo
Mas com beijo real
Assim espero
Nas bochechas ou na testa
Onde convier
Beijinho de fato
Com sabor de "bem-vindo!"
Pois, beijar o vento
Ainda soa falso
Se não sabe ou não quer
Pra que simular?
Um aperto de mão parece mais sincero
...Se tiver abraço, então...
Dá gosto ficar!
Como beijo de Sol
E abraço de mar

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Pedido

O que me trazer de lá?!
Nada que lhe custe dinheiro
Mas algo que lhe seja caro
Não raro de saldar:
Saudade
Beijos
Prazer
Traga-me 
simplesmente
Você!

sábado, 20 de julho de 2013

Desejo de Olhar

Nossos olhares se entrecruzaram
Rompendo barreiras
Cortando o espaço vazio entre tantos desatentos

Por sob a surdez de tantas falas
Por sob a mudez de tantas bocas

Enquanto as nossas calavam atônitas
Atentas
Ao dizer silencioso de quem se olha

De quem se vê passar nos olhos
De quem se vê ficar 
Nos olhos
De quem se olha
Nos olhos
De quem passa 
Brilhando
Acompanhando no olhar de quem fica
O desejo de olhar
O desejo
De quem olha...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

De Plebiscito e Canetada

Há dúvidas sobre o plebiscito como estratégia política do Governo: é a melhor resposta política ao Movimento das Ruas? Ou é um engodo, uma escamoteação do poder popular?
Movimento Pau de Arara, Mossoró-RN
Sem dúvida, a presidente Dilma surpreendeu, antecipando-se a tantos outros estadistas de países em conflito popular, ao pronunciar-se em 21/06/2013, já na segunda semana[1] de manifestações nacionais; e ao convocar, em 24/06, o Legislativo e o Judiciário para um pacto, junto com governadores e prefeitos, em torno de cinco temas: 1. Responsabilidade fiscal: reduzir gastos para controlar a inflação; 2. Reforma política: constituinte ou plebiscito; 3. Saúde: médicos cubanos, portugueses ou espanhóis para onde médicos brasileiros não se dispõem; 4. Transporte público: redução de impostos e verba para mobilidade urbana; 5. Educação: 100% dos royalties do petróleo extraído do pré-sal.
Os críticos dizem que ela se aproveitou da pressão popular e direcionou-a ao Congresso[2]. Ignoram o pacto, para o qual ela consultou na semana anterior até o líder-mor da oposição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Afinal, ela está governando para todos os brasileiros. Mas se ela não o tivesse feito diriam que ela não estava dando a devida atenção.
Prendendo-se ao plebiscito, em detrimento aos demais temas, há quem o considere um engodo, defendendo que ela poderia resolver tudo isso numa “canetada”. É certo que quanto à responsabilidade fiscal, de fato, ela poderia reduzir seus 39 ministérios. Assim, governadores e prefeitos deveriam seguir o exemplo. Mas, qual Movimento reivindicou isso? Todavia, por que não irmos às ruas com esse propósito? Possivelmente o tema 4 também pode ser resolvido na canetada: o que ela já fez. Porém, quanto aos demais temas parece que o entrave está na legislação, ou seja, no Congresso. Afinal, o que mais ela poderia resolver na “canetada” sem ser antidemocrática? Como atender urgentemente a população interiorana aonde os médicos brasileiros não se dispõem a atuar? Como aprovar nova verba para a Educação e para a Saúde? Como estender aos outros poderes a transparência contra a corrupção? Como decidir sobre financiamento público de campanha política? Como decidir sobre a reforma política ou tributária, há mais de 20 anos no Congresso, sem a pressão popular?
Movimento Pau de Arara, Mossoró-RN
Os parlamentares temem o redirecionamento da pressão popular, porque estava cômodo se fazerem de surdos, frente às manifestações, como se eles não soubessem que os gritos contra corrupção e desmandos lhes atingem, e que para o Executivo e o Judiciário funcionarem a contento é necessária a aprovação de leis no Legislativo. Vale lembrar o Projeto de Emenda Constitucional 037 (agora rejeitada graças à pressão popular), que pretendia retirar do Ministério Público o seu poder de investigação, pelo qual se executaram vários processos de corrupção. Assim como o PEC 033, que intenciona sobrepor o Legislativo ao Judiciário, em matéria julgada; o abonamento de políticos de Ficha Suja; o Ato Médico etc. Além da resistência à Lei de 100% dos royalties do petróleo para a Educação (agora aprovada apenas sobre os 50% concernentes ao Governo Federal). Vale lembrar que em 2009 o presidente Lula mandou ao Congresso Projeto de Lei da Corrupção, transformando-a em crime hediondo e punindo também os corruptores, ou seja, os empresários: mas só foi aprovada agora, pela intervenção de Dilma e sob pressão popular.
Ora, como diz o meu amigo Prof. Rubens Fernandes, foi a classe média que saiu às ruas; não o povão. Mas para manter-se nas ruas, em protesto contra os desmandos políticos, é preciso não perder o foco democrático de que o poder emana do povo nem o princípio republicano de que: o poder Executivo e o Judiciário dependem do Legislativo, dito representante popular. Contudo, observando-se as leis brasileiras, percebe-se que os nossos legisladores são quem menos representa, de fato, os reclames e anseios populares.
Ocorre, entretanto, que o "povão" precisa de um alvo visível e o mais próximo possível para atirar a pedra dos seus reclames. No entanto, quem lhe aponta tal alvo é a classe média (dita instruída), que pode atirar e depois correr. Por isso ela não aponta alvo próximo o bastante para bater, porque também pode apanhar, uma vez que muitos estão ligados ao poder local. Ou seja: a grande maioria faz denúncias sem indicar sequer o local, tampouco os nomes dos governantes (basta observar as fotos de ambulâncias do SAMU abandonadas: não dizem quem mandou nem quem as abandonou). Logo apontam para o "governo"(?). Isso se dá inclusive sobre decisões do Judiciário, como no tocante à absolvição ou libertação de bandidos ricos. Culpam sempre o Governo, como se estivéssemos numa monarquia.
Onde? Quando? Quem são os irresponsáveis?
Mas, quase ninguém lembra que Executivo e Judiciário dependem das leis aprovadas pelo Legislativo. Talvez porque inconscientemente o coletivo saiba que toda a responsabilidade, ou culpa, recai sobre nós, que os elegemos. Mas "eles" são muitos. E nós, individualmente, só votamos em um deles. Daí o presidente aparecer como alvo mais fácil, por ser figura visível, tal como a esperança messiânica de um salvador da pátria ou de um vilão.
Quem dos manifestantes observa o Portal da Transparência do Governo Federal e acompanha o trâmite, por exemplo, da verba destinada à Educação do seu Estado e do seu município e, por conseguinte, cobra dos governantes locais? Quais governos estadual ou municipal fizeram portal da transparência, para o acompanhamento das verbas? Isso não poderia ser resolvido também por "canetada" local? Mas, qual Movimento exigiu isso? Quem percebeu que antes mesmo do Movimento do Busão e do Passe Livre, Dilma já tinha reduzido os impostos que incidem sobre o transporte público? Mas, apesar desse ato, onde se teve redução da passagem, antes do Movimento? Ao contrário: houve aumento... e abusivo.
Então, o Movimento precisa, sim, continuar nas ruas, mas sem perder o foco republicano, que é o desmando político do Legislativo e dos poderes locais. Pois, do contrário, cometeríamos injustiça, fazendo com que eles permaneçam calados e surdos. E mesmo que algo se resolva na "canetada", muitos outros entraves permanecerão no Congresso. E é disso, a meu ver, que se vale essa direita que reclama sua volta ao poder que mantiveram por séculos sem nada fazer pelo dito povo brasileiro.
Movimento Pau de Arara, Mossoró-RN
E vale observar: isso não significa que o governo de Dilma (PT) não mereça crítica. Mas a crítica precisa ser séria, para que haja avanços. E muito séria, para não ser reduzida às denúncias de corrupção que tanto valem para governo dos ditos "PeTralhas", como os apelidou a direita, quanto para o dos PSDBestas ou DEMos. Pois esse é o único instrumento de que estes se valem para manipular o povo, como se o retorno deles fosse algo melhor do que o que está aí. Melhor para quem? 
Basta observar para quem eles governaram e para quem o atual partido tem governado, embora ele tenha perdido o seu caráter originário, que foi a capacidade de mobilizar a população para pressionar o Congresso. Mas, alguém precisa defender os mais vulneráveis, os historicamente injustiçados. Se não forem defendidos pelos mais fortes, que sejam por aqueles que detém algum conhecimento histórico da realidade social, pois estes tem a responsabilidade ética de fazer justiça política. E a responsabilidade política de fazer justiça social. Mas, inegavelmente, nos últimos 10 anos o governo brasileiro tem feito isso, apesar das mazelas denunciadas que persistem há décadas. Pois, com seu feito tem elevado o Brasil democrática e internacionalmente.



[1] Pode-se observar que os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus começaram com a Revolta do Busão, em Natal, em 03/09/2012. Seguindo-se em Porto Alegre, em 25 e 27/03/13 e 04/04, e prosseguindo em 16/05 em Natal; em Goiânia (21 e 28/05), no Rio de Janeiro (03, 10, 16 e 17/06), em São Paulo 0(6, 13, 17, 18 e 19/06), assim como em Fortaleza (13, 17 e 19/06), Brasília (15 e 17/06), Bauru-SP (17/06), Salvador (17/06), Curitiba (17/06), Belo Horizonte (15, 17 e 18/06), Belém (17/06), Maceió (17/06), Recife (17/06), Cubatão (18/06), Marília-SP (18/06), Araçatuba-SP (18/06), São José do Rio Preto-SP (18/06), São Gonçalo-RJ (18/06), Florianópolis-SC (18/06), Juazeiro do Norte-CE (18/06), São Bernardo-SP (19/06) e Niterói-RJ (19/06); além de cidades como Mossoró-RN, Manaus etc. A intensificação nacional dos protestos, porém, deu-se basicamente a partir de 10/06, com o massacre policial em São Paulo e no Rio, proliferando-se até 19/06. Dialeticamente, a meu ver, a ação do governo paulista é que despertou o povo Gigante adormecido (conf. http://noticias.terra.com.br/infograficos/protesto-tarifa/).

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Da Beleza ao Poeta

Beijo de Gildilene
Poesia é Arte. 
Arte é Beleza. 
E a beleza, tal como a arte, é EXpressividade: capacidade de EXteriorizar; pressão de sentimentos que EXplodem do interior para o EXterior do ser, como parte dele. 
Portanto, poesia é beleza pela expressão de sentimentos. 
Tal como os sentimentos, a poesia e a beleza carecem de expressão. Seu intuito é mostrar-se de dentro para fora; objetivar-se: tornar-se objeto acessível ao Outro, real, ao se realizar na apreciação do Outro. 
Lagoa do Bonfim
Tal como a beleza, a poesia tem algo de publicável. Precisa ser divulgada para ilustrar a vida, como peça educativa que é. Considerando que a poesia ensina, ela precisa ser compartilhada para evitar o contrassenso de privatização da beleza. Pois, sem ela a vida fica triste e pobre. 
Que graça tem a lua que não aparece?
Lua de Fernanda Augusto
Que graça tem o por do Sol se ninguém o vê?
Por isso, Artista Filho da Poesia! Oh, meu irmão Poeta! PUBLIQUE A PORRA DOS SEUS POEMAS! Contribua para a beleza dessa vida! 
Como você pode privar da beleza aqueles que não foram agraciados com ela? 
Exposição de Josué Flor
Ajude a educar a porra dessa geração que não lê! Não deixe que sua poesia se perca no tempo e no espaço, para divulgá-la quando você não puder mais se regozijar da sua obra, como quem parte sob a dor de não poder mais expressar seus sentimentos pelo ente querido nem saber do quanto era querido por ele! 
Por que ser apenas um ente partido, se pode sê-lo inteiro, realizado na interação com o Outro? 
Ao meu irmão Poeta, Sales de Oliveira!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Carta de um Pai Ateu à sua Filha no EJC


Minha mais amada filha mais nova!

Ainda me lembro da sua primeira noite de pijamas, quando as professoras do Geozinho nos pediram para escrever cartinhas para você, que seriam lidas durante a noite. Certamente uma professora é que as leria para você, na turma. Então pedi pra sua mãe e sua irmã lhe escreverem alguma coisa. E eu lhe escrevi várias. 
Curiosamente, enquanto sua mãe temia por você em sua primeira noite fora de casa, eu acreditava que seria a sua primeira grande noite de independência: como um corte do cordão umbilical na infância. Mas fiquei ansioso para vê-la na manhã seguinte, como você estaria após tal experiência de vida.
E confesso que fiquei maravilhado com sua narrativa de que aproveitou tudo, exceto assistir a filme, só pra não sentir sono. Tanto que ao chegar em casa, só fez tomar o seu “gagau” e adormecer na sala mesmo, de tão cansadinha que estava. Pois soube aproveitar muito bem.
Aquela experiência, pra mim, foi um marco na sua educação como pessoa e como futura mulher independente. Pois, foi assim que sempre pensei a educação das minhas meninas. Como tenho dito, eu sempre quis ser pai; e pai de meninas, pelo desafio de criá-las diferentemente nessa sociedade machista. Por isso eu sou um homem realizado como pai de duas meninas lindas, graças a sua mãe, e reconhecidamente bem educadas. Fico orgulhosamente feliz quando me falam da beleza das minhas meninas (e se não falam falo eu), mas principalmente da educação, da qual seria injustiça negarem-me crédito.
Tenho primado pelo princípio da justiça, do respeito e da liberdade, como valores fundamentais de toda educação que vise formar pessoas livres e razoáveis, dignas do bem viver em sociedade. Pelo princípio da justiça tento lhes incutir a capacidade de julgar entre o certo e o errado, não por norma, mas pelo exercício do bom senso para evitar impingir a si ou a outrem o mal de um sofrimento desnecessário ou de um prazer inconsequente. Basta que não atrapalhe, “para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo. 10; 10).
Pelo princípio do respeito consideramos sempre que o(s) Outro(s) tem algum valor como pessoa, como ser humano, ser vivo, animal ou vegetal, ou valor pela parte que lhe cabe na relação com o ambiente. Por isso não merecem condenação só por serem diferentes de nós, ou porque suas crenças não se assemelham às nossas; nem seus atos que em nada ferem, exceto ao nosso preconceito. Principalmente se agem pela involuntariedade da ignorância, carecendo de educação ou de "perdão, porque não sabem o que fazem” (Lc. 23, 34). Aliás, como diz Gilberto Gil, “não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão” (Drão). 
Para tais princípios a liberdade tem sido o fundamento. Pois, sem ela não se aprende justiça nem respeito. Sem ela não haveria a descoberta do Outro, do diferente. Sem ela não haveria a responsabilidade pelas consequências na relação com o Outro, como condição de sua própria independência. Contudo, ela se dá pelo reconhecimento dos seus próprios limites, das suas próprias necessidades.
Por isso tenho evitado lhes dizer o que vocês devem fazer, a menos que eu considere isso realmente necessário. Sei que às vezes isso pode lhes angustiar. Mas sei também que vocês superam. E estou atento. Pois é isto o que me importa: que vocês superem seus próprios limites, para saberem respeitar os limites alheios e aprenderem a corrigir ou conviver com as falhas dos que não aprenderam a viver como vocês.
Em nome da liberdade, da justiça e do respeito tenho evitado lhe dizer qual curso ou profissão você deve seguir, tampouco me pronunciar sobre suas amizades, namoros, festas ou crenças, a menos que me consulte ou que eu julgue que estão segregando-a ao invés de congregando-a. Por outro lado, lembro sempre as duas condições para a mulher ser independente nessa sociedade: trabalhar e saber dirigir. Por isso a carteira de motorista foi seu presente dos 18 anos, uma vez que você ainda não trabalha. O resto, porém, cabe a você.
Então, que você saiba aproveitar mais essa experiência em sua vida, com liberdade, justiça e respeito! E ciente de que eu te amo! ...E muuuuuuuuuuuito!
Beijos mil de bom final de semana, para minha Princesinha e para sua galera do EJC!

Mossoró, RN, 17 (25) de maio de 2013.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ma Belle et Douce Nièce (Ahmina)


A boca doce angelical
Jolie sensual, escultural, a la Angelina
Ai, doce menina
Creio: Não pode ser acre o coração
Da boca que doces neblina
Cabocla linda
Linda 
Meiguice plena que estampa
Raro bem 

Este bem também 
Bem ensina
Nas línguas que dominas bem
Cultural, transcultural, universal
Intercâmbio natural a outras línguas
A esse bem que tu tens
Todo mal se detém
Se declina

Ahmina e Sales: valsa da formatura em Relações Internacionais 
A língua que à tua se enrosca
E que bem a dominas
Que seja ou se faça o bem mais doce
É boa sina
Pois bem de sorte é também
E das línguas de uma eterna menina
Reine a paz mundial da verdadeira
Sábia
E terna mulher 

Ma belle et douce nièce, Ahmina.    


Homenagem do tio poeta Salles de Oliveira (31/03/2013)

sexta-feira, 29 de março de 2013

De Rotatória e Racionalidade

Ultimamente tenho me ocupado em pensar a realidade do trânsito urbano de veículos, por uma razão que interessa à Filosofia: o trânsito é o âmbito próprio da pura linguagem de sinais; por isso, a maior expressão da racionalidade urbana, ou seja, moderna.

Há algum tempo apresentei ao então Prefeito Ricardo Coutinho uma proposta para o trânsito da cidade de João Pessoa, que aos poucos vejo-a sendo implantada. Recentemente apresentei ao DNIT de Mossoró-RN algumas reflexões sobre a Rotatória do Km 48 da BR 110 com a Av. Leste-Oeste. Mas o argumento da autoridade descartou a autoridade do argumento.
Obs.: fila do lado sul da rotatória atrapalhando até
quem não precisaria cruzá-la, saída da Leste-Oeste
no sentido Centro-UFERSA

É que, conforme reza o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.053/1997), no seu Art. 29, inciso III, alínea b: “no caso de rotatória, aquele que estiver circulando por ela” tem a preferência. Isso segue um princípio geométrico simples: o círculo é a figura perfeita, pois não tem começo nem fim. Por isso também é mais democrático: nele, todos tem sua vez, desde que ninguém se aposse dele. Graças a isso é que mundialmente se tem preferido rotatórias a semáforos, pois elas seguem o bom senso, permitindo melhor fluidez do trânsito. Por que só em Mossoró tem que ser diferente? E pior: o diferente está errado, uma vez que causa maior transtorno.


Presumo que dar a preferência à BR 110 nesse trecho deva-se ao fato de ser pista de rodagem rápida e trânsito mais intenso que o da Leste-Oeste. Entretanto, a rodagem rápida pode e deve ser coibida em trecho urbano; como é o caso, no bairro popular e entre duas universidades: a UFERSA e a UERN e no trajeto para o IFRN.
Quanto ao trânsito mais intenso, contudo, ele não permanece todo na BR. Certamente, quase metade dele sai da BR para a Leste-Oeste, em direção ao Centro ou à UERN. Do mesmo modo o que sai da Leste-Oeste entra na BR, em direção a Areia Branca ou à UFERSA. Vale lembrar que os nossos condutores de veículos motorizados não são educados para sinalizar a direção que darão ao veículo. Valem-se apenas da lei do mais forte: de carreta para ônibus, de ônibus para caminhonete, desta para carro, deste para moto, e de moto para bicicleta ou pedestre.
Então, basta observar o transtorno quando vários carros vindos da UFERSA vão entrar para o Centro. Eles tem a preferência na BR, mas não na rotatória. Daí decorrem filas atrapalhando os que vão cruzá-la em direção a Areia Branca ou dos que vão da UERN ao Centro ou à UFERSA. E isso piora quando tem carreta ou ônibus nessa fila, para ninguém mais passar ou até causar acidente. Vale lembrar que tanto UERN quanto UFERSA dispõem de vários ônibus de estudantes nos horários de pico universitário.
Obs.: fila tripla no lado norte estendendo-se até a BR
e lado sul da rotatória: cobra engolindo o próprio rabo
Além disso, acrescente-se mais carros, caminhonetes, ônibus e carreta ou caminhão que trafeguem na BR (sentido Norte a Leste), dos Pintos ou Areia Branca em direção à UERN. Eles também tem a preferência da BR. No entanto, perdem-na ao entrarem na rotatória. Disso derivando filas que bloqueiam as filas provindas do lado Sul a Oeste e vice-versa (UFERSA ao Centro) parecendo cobra engolindo o próprio rabo. Resultando, portanto, em engarrafamento, estresse e prováveis acidentes, com prejuízos incalculáveis. Isso por que nem existe pista alternativa. 
Ora, por que não retirar as placas R-2 de DÊ A PREFERÊNCIA postas no centro da rotatória e transferi-las para a confluência com a BR Sul (UFERSA) e com a BR Norte (Pintos)? Além disso, seria necessário apenas que se acrescentem em cada entrada da BR na rotatória os sinalizadores horizontais refletivos e em relevo (chamados tartaruga), ou lombadas, assim como faixa de pedestres, educando-os à redução de velocidade. Os acessos da Leste-Oeste à rotatória, contudo, devem permanecer com a placa R-1 de PARE. 
Obs.: trecho livre no norte da rotatória, porém atrapalhado
pela fila do lado sul.
Isso possibilitaria a democratização do trânsito na rotatória, principalmente nos horários de pico universitários (em torno das 7h, 10:30h, 13h, 17:30h, 19h e 22h). Permitirá, inclusive, que a rotatória seja usada como retorno para quem sai do campus Leste da UFERSA e quer dirigir-se ao lado Sul, sem atrapalhar o trânsito. Ou sai da UERN e quer retornar para a ADUERN. Ou do Restaurante Tenda e quer dirigir-se a Areia Branca. Do mesmo modo para quem vem do Centro e quer entrar na Repete, em cuja direção há placa recomendando fazer a rotatória. Entretanto, até a Polícia tem sido flagrada em ato de direção imprudente, para não ter que parar três vezes em tão curto trecho: no final da Leste-Oeste para cruzar a BR; depois no giradouro; e após girar a rotatória, para sair dela retornando à Repete.
Vale observar que as regras do trânsito precisam não apenas obrigar o motorista, mas principalmente educá-lo a fazer o correto, já que, infelizmente, as autoescolas apenas adestram para o teste de aquisição da carteira. Pois, quem deve educar para a racionalidade do trânsito se não for racional e democraticamente educado? A quem recorrer para isso se a imprensa mossoroense não cumprir seu papel democrático de quarto poder republicano? Quiçá, um projeto de pesquisa e extensão com alunos e professores do Curso de Comunicação da UERN nos dê tal poder!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Das Dores


Maria das Dores
Por que Das Dores?
Não tinha outras Marias que ela pudesse ser?
Ela amava as plantas
As rosas mais simples, as flores
Mas Maria das Dores?
Ela tinha mesmo que ser?
Por que não só Maria?
... Como ela queria ser chamada
Já que toda Maria vem por sofrimento amparada
Precisava adicionar o tormento?
Maria do Livramento?!
Até Maria das Lágrimas, Madalena poderia
Pois por tudo chorava
Pela menor alegria

Maria do Socorro
A todos socorria
Maria Doce, Maria Cândida
Muito bem caberia
Maria de Jesus, olha que pura verdade
Foi para ele que ela se despiu de toda vaidade
Talvez para ver se menos sofria

Maria dos Milagres
Que com tanta gente e pouco dinheiro
Ninguém morreu
O prodígio ela mesma fazia
 
Maria do poder
Essa é invenção minha
Mas poderia ser
Mesmo frágil ela tinha muito
Ela podia
Não inventam por aí outras falsas Marias?
Homem, eu acho que só não teria que ser
Das dores
Estupidez! Tenham dó!
Isso é nome de gente?
Isso é nome pra marginal
Viver doente, com dor de dente
E não preocupar a ninguém.

Agora, olha só que legal
Maria da Glória, minha sogra
Outra mãe que eu tive, não natural
Maria das Vitórias, nome forte!
Não condizia seu porte,


Mas mesmo em dores a tudo vencia

Maria das Graças
Tantas graças alcançadas
Se não muito engraçada
Mesmo sem entender nada
Mesmo a se condoer
De toda tolice sorria
Por qualquer piada

Maria dos Remédios que sabia fazer
Com sábias e simples palavras
A todos dizia
Para qualquer sofrer
Só não tinha remédio pra ela, coitada!
Caramba! Quase digo um palavrão
Não dá pra entender
Já foi, é melhor não dizer
Ela não gostaria do som.

Maria dos Prazeres
Esse é bom!
Pergunte ao meu pai!
Foram seis
Poderiam ser mais
Todos com prazer
Mesmo assim Imaculada, Livramento,
Também caberia

Como cantava Milton Nascimento
Maria Maria
Poderia até ser
Era tudo que ele dizia
O que é que teria de mais?
Maria traz paz
Dobrada...
Ela se desdobrava com o seu jeito de ser

Você ria?
Porque não era você
Que trazia além do triste nome
Desde menina a sina de doer
Desculpa a quem desculpa couber
Dá pra aceitar até
Só não dá pra entender
Maria da Penha seria para se defender
Maria da fé... Que fé!
Acredita?
Com que tu achas que ela resistiu tanto tempo de pé

Outra mãe minha poderia:
Maria Nazaré
Maria Bonita, por fora e por dentro
Agora eu me entalo
Eu me arrebento
Pergunta a Gonçalo
Olha para os seis filhos

Parece que juntaram as dores dessas tantas Marias
E lhe colocaram
Então seria Maria Grande
Grande Maria!
Porque tudo cabia

Maria Mãe, ou Mãe Maria
Que lindo! Não sabes que mãe ela foi
Por mais que te digas tu não saberias
São inúmeras Marias
Levariam dias para serem citadas
Nomes de tantas outras santas Anunciadas

Qualquer outra lhe identificaria:
Maria da Conceição
Maria da Paz, Maria Cândida
Maria do Carmo, Maria Pureza
Maria do Céu onde está agora
Maria Tereza, Maria da Aurora
Maria da Hora - era lenta
Maria Da Guia, Maria Inácia
Que já nasce benta
Maria Benedita
Bendita Maria

Das Marias depois das dores
Tem outra que ela abominaria
Maria Rita
Mas pula essa parte
Não sei nem por que disse
Concorda comigo, Nice?

Com muita calma e muito amiúde
Tudo fazia
Concorda comigo, Maria de Lourdes?
Se fosse Beatriz?
Essa quem opina é Chiquinho de Assis
Maríliam, o que é que tu achas, William?
Marrion é Mariazinha em francês
Enobrece o som
Fala alguma coisa Wilson

Nalvinha, a gente nunca a chamou de mãinha
Ela nunca se incomodou
Talvez pelo amor à irmã tão querida
A quem, tão mãe, tão Maria
A tia Mãinha que nos guardou a vida

Mas de todas as Marias
Sabe a que me chama atenção?
E eu lhe cognominaria:
Maria da Resignação
Cumpriu sua grande e dolorosa missão
Subindo e descendo seus montes de males
Para nós foi tão antes
E foi-se tão... Resignada
De tudo ciente que por Deus foi chamada
Cruzando suas sombras e seus vales

Sim
Sou com orgulho
Um desses seis filhos
Desses seus frutos
O terceiro é Sales
                             Homenagem do meu irmão poeta à nossa mãe.
Sales de Oliveira  (01/2013)
Ocorreu um erro neste gadget