quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A ESTA GERAÇÃO

Hoje entristeci. Senti o adeus à profissão de Professor de Filosofia no Ensino Médio, além do de Sociologia, de Artes, de Língua Espanhola e do Educador Físico. Tudo derrubado pela maldita Medida Provisória da Reforma (MP 746/2016) Temerosa no Ensino Médio. Por esta MP Temerosa regressamos à época em que a educação escolar era tão desvalorizada que qualquer um podia ensinar qualquer disciplina. Bastaria uma "ordem superior". Mas não é meu intento analisar aqui este golpe à Educação.
Embora triste, quero resistir. Conclamo, então, a esta geração que está almejando estudar numa universidade e se profissionalizar no dito nível superior, para superar vossos pais: principalmente minhas sobrinhas Thaílla, Isabelle, Cecília e Ianna, minha filha Ariadn, meu sobrinho Mateus e meu irmão Gabriel. Esta geração que é testemunha ocular desse retrocesso histórico no Brasil. 
Espero que vocês registrem como puderem, para não esquecerem e, quiçá, poderem falar às gerações futuras, com a autoridade de quem viveu e pensou sua época: coisa que a nossa geração de filhos de trabalhador da década de 1960 não foi capaz de fazer, tal como a dos nossos pais, no interior do Nordeste do Brasil. Eles não tiveram as condições que nós tivemos, tampouco, nós, as que vocês têm. Apenas vivemo-las, sem pensar sobre elas.
Sem informação nem reflexão, não aprendemos que tais condições dependiam das decisões de homens que nos fizeram acreditar que o que conquistamos foi dom divino ou foi graças à caridade de alguém que não precisava lutar como nós, para sobreviver. 
No melhor cenário, fomos influenciados por quem assistia ao Jornal Nacional e se achava intelectual por ler a Veja, que por vezes nos fizeram imitá-los em menosprezar ou até odiar nossa origem humilde.
As mudanças impetradas hoje no país condenarão novamente milhares de jovens à condição de excluídos de direitos básicos como Educação e Trabalho. Isso só por causa do ódio dos privilegiados mesquinhos, carentes da pobreza alheia para se sentirem superiores e então poderem maltratar ou até fazer caridade para se redimirem da irresponsabilidade política e se dizerem melhores.
Pensem nisso! Porque há gente na rua hoje lutando para que não se perca o que se conquistou para a geração de vocês. 
Parafraseando Zeca Baleiro, "nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça"; quero ser o cassador; estou cansado de ser cassado.
Estão cassando os direitos de novas gerações. E não é justo condenar pessoas à miséria e só pedir a Deus que cuide delas. Equivale a comportar-se como filhos que geram netos, irresponsavelmente, e os deixam para os avós criarem, os pais dos pais, compensando-os com dízimos ou presentes de natal. Vale pensar: se dessas pessoas se diz que são filho/a/s mal criado/a/s, o que dizer dos religiosos que fazem o mesmo com o seu próximo? 
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