domingo, 9 de julho de 2017

Sorria e Aprenda, que lhe há de ser BOM o DIA!



Diante de tanta notícia ruim, diariamente, cujo resultado é, geralmente, um adoecimento do humor e da percepção do real, cujo sintoma é o descrédito na Política e até na humanidade, decidi precaver-me disto acessando antes algo que me fizesse rir e compartilhando-o nos vários grupos e entre amigos numa lista de Bom Dia no meu whatsapp. No entanto, um amigo filósofo me questionou: 

De onde vem esse otimismo, que não condiz com o status quo do Brasil atual? 
Talvez venha da minha compreensão de que preciso usar minha força interior (sorrir e aprender) para me vacinar diariamente contra as más forças exteriores e não me entregar ao mau humor ou pessimismo que elas proporcionam.
O sorriso vacina, tal como a piada faz pensar, e o aprendizado torna bom o dia.

Esse otimismo não incorreria num solipsismo inócuo à solução dos problemas objetivos do mundo real? 

Ora, se a questão se reduzir a deixar para os outros encararem a solução dos problemas do mundo intersubjetivo, de fato, isto não pode ser salutar à sociedade.
Mas a questão pode ser: COMO encarar os problemas do mundo intersubjetivo?
E a proposta é: vacinando-se com o sorriso antes de enfrentar as más notícias cotidianas. Pois, a depender delas, certamente, não há como se ter um bom dia.
Para isto, então, é preciso que se aprenda todo dia, a começar com a perspectiva do humor sobre a realidade. E, necessariamente, também com as tristes notícias cotidianas, para se superar a cada dia.
Assim, a solução não é deixada para os outros. Ela ainda está sendo buscada no aprendizado de cada dia com, para, e apesar dos outros.

Se isso tem sentido, então o que é "ter sentido"? Questionou-me uma amiga.

A rigor, a pergunta pelo "sentido" é, para mim, a pergunta verdadeiramente filosófica. Penso que "ter sentido", "fazer sentido" ou "dar sentido" é, em primeira instância, atribuir valor de verdade a um discurso que conforma, que justifica ou se ajusta à prática que preferimos adotar. Em última instância, consiste numa perspectiva pela qual se fundamenta uma prática sem nos arriscarmos a perder o sentido da vida, sem o qual a renegamos ou nos entregamos à barbárie ou à loucura, o que seria o mesmo.

E desde quando o discurso que conforta o subjetivo eu, deixando a solução dos problemas do mundo intersubjetivo para os outros encararem, é salutar à sociedade e aos homens outros? Redarguiu-me o filósofo.
Vale pensar que o discurso que conforta o sujeito é salutar à sociedade desde quando ele se realiza numa ação universalizável. Isto é, desde quando ele não mata o sujeito nem o isola da sociedade.
Atribuir valor de verdade ao sorriso e ao aprendizado cotidianos como condição para tornar bom o dia gera uma ideia universalizável que se realiza na condição de rir e pensar e fazer o outro rir e pensar a partir do risível, na busca de solução com e para os outros, apesar do "status quo do Brasil atual..." Afinal, que sentido tem tentar mudar os outros se não consigo mudar a mim mesmo?

E o que é o sentido da vida? Insistiu nossa amiga.


Teoricamente, seguindo o mesmo raciocínio, eu diria que "o sentido da vida" é o valor de verdade que atribuímos ao nosso modo de viver.                  
A consequência disso é um problema prático, que se dá quando não conseguimos mais com a nossa prática corroborar o valor de verdade atribuído ao discurso que a sustenta. Então, precisamos mudar de prática para dar consistência ao discurso ou mudar o discurso para sustentar a prática. E se não conseguimos isto, qual a consequência?
Parece que nisto consiste a verdade da expressão: a verdade doi. Doi quando a razão reconhece a necessidade lógica de mudar a prática de vida, porque esta já não se sustenta no discurso. 

Quero dizer: considera-se como verdadeiro aquilo que corresponde ao seu modo de viver, sem admitir que tal "verdade" diz respeito apenas a uma parte do discurso que se pretende universal; exatamente aquela parte que interessa para corroborar o modo de vida escolhido, de maneira que a generalização do discurso feita a partir da tal perspectiva não pode ser universalizada, tampouco o modo de vida correspondente.
Por isso, vale pensar para aprender a cada dia. Mas também vale sorrir para não adoecer ...

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Eu Sou UERN: Da Adolescência à Emancipação

Eu sou UERN desde 1988, graças à luta histórica de docentes e discentes da então URRN – Universidade Regional do RN. Luta que envolveu diversos representantes da região Oeste potiguar: desde a Igreja – católicos e evangélicos –, até da Maçonaria, de Sindicatos e do empresariado, através do CDL. Luta social que sensibilizou o intelecto do então governador Radir Pereira (14/05/1986-15/03/1987, outrora vice-governador, substituindo José Agripino/1983-86). 

É fato que desde o seu nascimento (28/09/1968) a UERN cresceu e apareceu: em números, em extensão, em patrimônio físico e pessoal. Mas, será que ela amadureceu nos últimos 30 anos?
Histórico 
Em fevereiro de 1987 eu colei grau na UFRN, como Licenciado em Filosofia, com a pesquisa sobre A Noção de Deus em Spinoza. Então desempregado e com esposa grávida, prestei concurso para Eletricista da Cosern. Aprovado e diplomado como Eletricista, fui designado para trabalhar em Tibau. Em junho de 1988, sob os auspícios de Mossoró, fui aprovado no segundo concurso para Professor de Filosofia da UERN.

Sob contrato de apenas 20h na jovem UERN, cujo salário de Professor Auxiliar não correspondia à metade do de Eletricista, precisei manter-me na Cosern até 1994, quando me emancipei no primeiro Plano de Demissão Voluntária da privatização da Energia do RN. Com o projeto de pesquisa sobre a Dimensão Ética da Política em Aristóteles, conquistei a minha Dedicação Exclusiva na UERN. Com ela e a partir dele lancei-me ao Mestrado, na UFPB, resultando na dissertação sobre as Implicações Éticas do Conceito de Animal Político em Aristóteles.
Até 2005 lecionando Filosofia em todos os cursos do Campus de Mossoró ajudei a formar centenas de jovens que não tinham condição de estudar na capital. Fui conselheiro da Revista Expressão (UERN) e da Revista Contexto (FAFIC), da qual também fui cofundador. Publiquei vários artigos em revistas e em eventos de Filosofia e na minha página institucional. Coordenei o projeto de extensão Vídeo-Debate e criei o grupo Amantes de Sophia, projeto pelo qual estendemos o amor pelo saber para além da academia e até em cidades vizinhas. Também coordenei duas edições do Curso de Especialização em Filosofia: em Epistemologia, destinado a colegas de outros departamentos das diversas faculdades da UERN; e em Ética e Filosofia Política, para professores da rede pública e demais interessados. 
Em 2000 assumi a chefia do DFI e ajudei a criar o Curso de Filosofia em Caicó e em Mossoró, em 2001. Em 2003 coordenei o nosso Curso e a Oficina do Pensamento, na Semana Nacional do Livro, do SESC, com a turma de Antropologia Filosófica. Testei-me no Concurso Público para Professor da UEPB, em Campina Grande-PB, no qual fui aprovado em primeiro lugar. Assinei contrato e preparei as primeiras aulas, mas fui demovido pelo DFI, que me concedeu a preferência à liberação para o doutoramento. Em 2005 fui Assessor da PRORHAE. 
Em 2006, com o projeto de pesquisa sobre A Linguagem das Paixões em Aristóteles ingressei na primeira turma do insterinstitucional Doutorado em Filosofia (UFPB-UFPE-UFRN). Por conflito com a perspectiva do tradutor português de Platão, o meu orientador Gabriel Trindade (UFPB), dediquei este primeiro ano a elaborar novo projeto, agora sobre O Nous Poietikos em Aristóteles. Com apenas 2 anos de pesquisa neste novo projeto o DFI recusou-me a prorrogação do prazo, por cujo retorno a aulas resultou no distanciamento e na dispensa pelo orientador. Assumido por novo orientador (Erickson Glenn-UFRN) a pesquisa foi qualificada com 5 capítulos, faltando apenas Introdução e Conclusão, porém, derrogado o prazo.
Desde então assumi a Supervisão de Estágio III e IV do nosso curso e tenho pesquisado sobre As Condições do Ensino de Filosofia em Mossoró, atividade pela qual se vislumbrou comemorar os 10 anos do Curso de Filosofia em Mossoró e sua autoavaliação.
Criei e aprovei no ProExt-MEC, como Programa de Extensão, a proposta ECOPRÁXIS: pegada ecológica do ambiente acadêmico para a cidade, com a qual pretendo promover interdisciplinarmente ensino, pesquisa e extensão em sustentabilidade hídrica ecológica.
Atualmente sou Vice-diretor da FAFIC, além de coordenar o NDE de Filosofia e os estágios das licenciaturas em Geografia, História e Sociologia, objetivando promover a interação entre a UERN e a Educação Básica, no cumprimento da nossa função social de formadores de profissionais de nível superior. Também coordeno o PIBID em Filosofia e, para espairecer com reflexão e poesia, mantenho um blog com escritos extra acadêmicos.
Reflexão 
Considerando que a grande maioria dos nossos egressos está na Rede Pública de Ensino, como o Estado teria profissionalizado tantos professores do Ensino Básico, sem a interiorização da UERN? 
Cerca de 93% dos Professores municipais de Mossoró são oriundos da nossa Instituição de Ensino Superior, assim como em Assu, Patu e Pau dos Ferros. Outros tantos estão em repartições públicas no interior do Estado. Outros se tornaram profissionais liberais: advogados, médicos, odontólogos, cientistas da computação, contadores, administradores do próprio negócio... todos contribuindo para a movimentação da economia local.
Alguns foram desbravar o Serviço Público em outros estados do Norte: Assistentes Sociais, Enfermeiros, Pedagogos, Cientistas Sociais etc. Outros até já fazem parte da elite do Serviço Público no Nordeste: alguns juízes, promotores e até reitor da Universidade Estadual de Alagoas. Em que situação estaria o RN se não existisse a UERN cumprindo esse papel fundamental de formadora de profissionais no interior do Estado? 
Por que ainda precisamos defendê-la em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado, contra um insano alarde de privatização? Por que o governo de um Estado pobre como o RN cria Curso de Gestão Pública fora da sua Universidade? Por que a Escola de Governo não está dentro da própria Universidade estadual? Não teríamos competência para isso? O que esta elite governante entende por Educação, Universidade e desenvolvimento sustentável? Como a UERN pode contribuir para mudar essa mentalidade?
Apesar dos funestos interesses da elite política retrógrada do nosso Estado, não seria interessante se pensar a nossa Universidade – não como mera repartição pública encarregada do ensino universitário, mas, por ser formadora de profissionais de nível superior – como uma IES cujo papel deve consistir em pensar e repensar para mudar a nossa realidade e refleti-la na sociedade? Como transformar a realidade externa à nossa comunidade, se apenas a reproduzirmos?
Propostas 
Precisamos mudar em nós mesmos o modo de ver e de atuar na melhoria das nossas relações e da nossa produção, para que a nossa mudança possa promover a transformação da realidade pelo menos do município de cada campus. Então a estenderemos à região circunvizinha e, por conseguinte, ao nosso Estado.
Por que não nos darmos a missão precípua, como universidade estadual, de servir como modelo de gestão do Serviço Público? Como agentes públicos produtores ou transmissores de conhecimento científico podemos e devemos promover o Serviço Público com excelência, em resposta às críticas pertinentes a toda prestação de serviço; em nosso caso: servir à sociedade potiguar, mediante a produção e democratização do conhecimento, pelo qual se gere riqueza social, fortalecendo e remodelando a identidade cultural local sob a universalidade dos pressupostos humanistas.
E do que precisamos para tanto? De pessoas que, de fato, pensam e lutam por uma UERN diferente dessa adolescente balzaquiana (30 anos de estadualização em 08/01/2017). Pessoas que vislumbrem uma Universidade madura, autônoma na gestão financeira e politicamente democrática; capaz de decidir e gerir seus rumos entre os seus pares: Professores, Técnicos e Estudantes; aberta à sociedade para pensar seus problemas e antecipar-se com as soluções. Pessoas que não se sintam elite pelo título universitário nem pelo salário; mas que se tornem tal pelo reconhecimento da sociedade à contribuição pelo seu serviço prestado. Eis o patrimônio imaterial que a UERN tem construído e precisa amadurecer para o desenvolvimento social da região e do Estado.
Precisamos de uma mentalidade nova, mas com bastante experiência sobre a adolescente UERN: pessoas com visão histórica e crítica sobre a realidade local, com coragem e vontade de construir agora o novo futuro da nossa Universidade. Capazes de pensar e implementar ações que congreguem a comunidade universitária em torno do seu fim último: prover conhecimento a serviço da sociedade potiguar. Isto exige desprendimento de privilégios vãos; esforço coletivo, maturidade e responsabilidade com a coisa [res] pública, para gerir o patrimônio público em vista do desenvolvimento social. 
Está provado que isto não se faz por conveniência ou apadrinhamento político partidário, como bem disse o reitor na última assembleia universitária. É necessário maturidade para emancipar-se. Emancipação é uma conquista de quem busca a liberdade; é a responsável pela saída da adolescência para a maturidade. Sem a autonomia de gestão financeira a UERN continuará a mercê de interesses esconsos.  
Somente a autonomia financeira da nossa Universidade, sob uma gestão democrática e transparente, pode nos dar a todos – professores, técnicos, estudantes e sociedade – a dignidade e a valorização que a comunidade uerniana merece. 
Por isso aceitei dispor o meu nome para unificar o grupo de pessoas que tem lutado para inovar a UERN em torno da ampliação de um projeto coletivo, pelo qual concorremos ao cargo de Vice-reitor nesta eleição, endossando a experiência de luta da Profª. Drª. Telma Gurgel ao cargo de Reitora, com coragem pra defender a UERN

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

BOM DIA, FUTURO!!!


Hoje marcamos uma nova etapa na nossa história profissional de intelectual ou de estudante da UERN. Seu novo futuro começa em todos nós com coragem para mudar.
Sorria e aprenda, que o futuro se gesta na luta diária.
Então, vamos à luta, pois a vitória só depende de nós para que o futuro nos seja bom!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Gratidão a Platão

Este testemunho não é de tristeza. É de gratidão.
2016 foi um ano de perda para muita gente. Principalmente para o Povo brasileiro.
Mas também foi um ano de luta intensa e ostensiva. Por isto há gratidão. A luta deve continuar.
Para não testemunhar tristeza não enunciarei as perdas. Não quero dor. Quero a lição.
Que a dor da perda fique no passado! Mais futuro tem a lição no presente.
Para tanto registro dois presentes de aniversário; aliás, 3 que se relacionam:
Nitxe (grafado abrasileirado para não ferir os discípulos do filósofo), que ganhei da minha irmã Nalva, desde julho, para o meu aniversário em dezembro, cujo intento era fazer companhia à bem aventurada Luna, netinha que ganhei em janeiro de 2015.
Pretendia-se também que Nitxe fizesse companhia a Platão, presente que ganhei do meu irmão Sales, em 2005. Com 11 anos, Platão já ultrapassara as expectativas de vida de um Labrador. Pareceu-me interessante gratificar-lhe com a companhia que eu não podia lhe dispor.
No entanto, a energia pueril de Nitxe, querendo brincar o tempo todo, parecia a Platão um desrespeito. O velho não se animou com o novo, mas o respeitou.
Luna também não se interessou por Nitxe. Talvez pelo mesmo motivo de Platão: desrespeito - ele a lambuzou toda e a arranhou; além da falta de domínio, claro!
Por conta disso perdi meu presente: devolvi-o. Ele não cumpria o intento do qual ele nem fora avisado. E por falta de respeito ao seu tempo, ele foi rejeitado. Aliás, nenhum dos três sabia da intenção. Por isso, para não mudar os outros com o meu desejo, mudei o meu desejo.
Curiosamente, ao perder Nitxe, devolvendo-o em 28 de novembro, perdi também Platão, que saiu para suas oferendas vespertinas ao redor da igreja Santo Antônio, do Jardim Cidade Universitária, em João Pessoa, e não retornou.
Ele costumava fazer esse passeio diariamente, sozinho. Mas acredito que ele preferia fazê-lo comigo; inclusive com Nitxe. Pois, apesar dos insistentes saltos de Nitxe sobre ele, durante o passeio ele não reclamava. Antes ele também já havia prolongado esse passeio por duas ou três noites, quando encontrava alguma namorada dos outros, que o preferia, por cujo porte atlético lhe permitia furar a fila. Ele retornava arrasado, mas feliz. Porém, desta vez, sua demora não pode ser por causa de um cio: ninguém na idade dele aguentaria um mes de fila em fila. Além do quê, seria avistado pelas ruas ou noticiado em blog ou páginas Amigos dos Animais, no Facebook. Procurou-se por ele nessas páginas e nas ruas por onde ele passeava. Mas, nada. Perdi-o também. Desconfio até que ele apenas fingia não gostar de Nitxe, talvez por ciúme, sem entender a verdadeira finalidade. Por isso ele preferira não retornar, pra não se sentir sozinho novamente.
Então, fica-me o consolo na ideia de que "notícia ruim chega logo". Assim, se nada nos chegou é porque nada de ruim lhe aconteceu.
Prefiro pensar que se ele não retornou até agora é porque está em boa companhia. Quem o pegou deve ter percebido que ele é um idoso e presumido que estaria abandonado. Quem acolhe um idoso supostamente abandonado, certamente o faz para lhe dar o melhor de si em seus últimos dias. Então, sou-lhe grato por isto!
Poupou-me, inclusive, da dor de assistir à sua morte, presumivelmente em breve. Não vi a sua partida, tampouco a sua chegada. Então valho-me da alegria do grandioso presente vivo, vívido, vivido.
Agradeço a Sales pelos 11 anos de boa companhia, tal como seria a dele próprio.
Agradeço a Nalva e a Ivanaldo por me fazerem sentir-me amado através de tão valioso presente, a quem peço desculpas por não ter sido digno dele.
E agradeço a quem acolheu o meu Platão! Que ele permita a tal pessoa realizar o mais que humano em nós, tal como o fez comigo.
Beijos de gratidão!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Espelho de Desejos e Esperança

Mais um ano se vai
E com ele a ilusão do irrealizável:
A frustração dos nossos sonhos egoístas
Que só alimentam o desejo individual de superar os outros
Então, no ano que chega, renove-se!

Renovemo-nos!
Na esperança de nos superarmos
Ao sonharmos juntos o realizável:
Multipliquemos o desejo que realiza a outrem
Como a mim mesmo!
Pois se realiza com o outro
Porque eu sou o Outro

Assim, tudo o que me desejares retornar-te-á em dobro
Como a imagem refletida no espelho que sou
Cuida-me e ela resplandecerá
Descuida-me e ela turvará
Como os teus sonhos egoístas se esvaem

Porque o Outro está em Mim
Em ti, em nós, como desejo
Tal como nele estou
Estás, estamos, como Potência do Ser
Que se realiza na comunhão dos nossos atos

O que seria da Potência sem o Ato?
Atualizemos, pois, nossos desejos em vista do Outro!

Para nos superarmos
Comecemos em nós a mudança que precisamos fazer no outro!
Sorria e aprenda a cada dia, que o novo ano haverá de ser melhor
Em nós
E para o Outro!


Beijos de Feliz 2017!!!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

DA ADOLESCÊNCIA PARA A EMANCIPAÇÃO DA UERN

Eu sou UERN... desde 1988.  Do segundo concurso da recém-estadualizada Universidade do Estado do Rio Grande do Norte: graças à luta histórica de Professores e Alunos da então URRN – Universidade Regional do RN. Luta que envolveu diversos representantes da região Oeste potiguar: desde a Igreja – católicos e evangélicos –, até da Maçonaria, de Sindicatos e do empresariado, através do CDL. Luta social que sensibilizou o intelecto do então governador Radir Pereira (14/05/1986-15/03/1987, outrora vice-governador, substituindo José Agripino/1983-86). 

Certamente essa foi a maior de todas as lutas: consistiu em dar nova perspectiva de futuro a um dos estados mais pobres e atrasados do Nordeste do Brasil. Transformou-se em estadual o que era apenas municipal (de Mossoró, e regional: do Vale do Assu ao Alto Oeste potiguar). A jovem UERN, então, encarregou-se de formar centenas de jovens que não tinham condição de estudar na capital. Ela nasceu no interior (Lei 20/68-CMM) e se expandiu pelo Estado[1], dando voz e vez ao jovem interiorano e até lhe proporcionando o sonho do curso superior, da ascensão e da mudança socioeconômica.
Atualmente, a grande maioria dos nossos egressos está na Rede Pública de Ensino. Como o Estado teria profissionalizado tantos professores do Ensino Básico, sem a interiorização da UERN? Cerca de 93% dos Professores municipais de Mossoró são oriundos da nossa Instituição de Ensino Superior, assim como em Assu, Patu e Pau dos Ferros. Outros tantos estão em repartições públicas no interior do Estado. Outros se tornaram profissionais liberais: advogados, médicos, odontólogos, cientistas da computação, contadores, administradores do próprio negócio... todos contribuindo para a movimentação da economia local.
Alguns foram desbravar o Serviço Público em outros estados do Norte: Assistentes Sociais, Enfermeiros, Pedagogos, Cientistas Sociais etc. Outros até já fazem parte da elite do Serviço Público no Nordeste: alguns juízes, promotores e até reitor da Universidade Estadual de Alagoas. Em que situação estaria o RN se não existisse a UERN cumprindo esse papel fundamental de formadora de profissionais no interior do Estado? 
É fato que desde o seu nascimento (28/09/1968) a UERN cresceu e apareceu: em números, em extensão, em patrimônio físico e pessoal. Mas, será que ela amadureceu nos últimos 30 anos? Por que ainda precisamos defendê-la em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado, contra um insano alarde de privatização? Por que o governo de um Estado pobre como o RN cria Curso de Gestão Pública fora da sua Universidade? Por que a Escola de Governo não está dentro da própria Universidade estadual? Não teríamos competência para isso?

Apesar dos funestos interesses da elite política retrógrada do nosso Estado, não seria interessante se pensar a nossa Universidade – não como mera repartição pública encarregada do Ensino Superior, mas, por ser formadora de profissionais de nível superior – como uma IES cujo papel deve consistir em pensar e mudar a realidade pelo menos do município de cada campus, estendendo à região circunvizinha e, por conseguinte, do nosso Estado? A missão precípua da nossa Universidade não consistiria em servir de modelo de gestão do Serviço Público? E em que isto consiste se não no fato de Servir ao Público? Ou seja, promover o Serviço Público de modo diferenciado, em resposta às críticas pertinentes a toda prestação de serviço; em nosso caso, servir à sociedade potiguar, mediante a produção e democratização do conhecimento, que gere riqueza social, fortalecendo e remodelando a identidade cultural local sob a universalidade humanista. 
E do que precisamos para tanto? De pessoas que, de fato, pensam e lutam por uma UERN diferente dessa adolescente balzaquiana (quase 30 anos de estadualização)[2]. Pessoas que vislumbrem uma Universidade madura, autônoma financeiramente e politicamente democrática; capaz de decidir e gerir seus rumos entre os seus pares: Professores, Técnicos e Estudantes; aberta à sociedade para pensar seus problemas e antecipar-se com as soluções. Pessoas que não se sintam elite pelo título universitário nem pelo salário; mas que se tornem tal pelo reconhecimento da sociedade à contribuição pelo seu serviço prestado. Eis o patrimônio imaterial que a UERN tem construído e precisa amadurecer para o desenvolvimento social da região e do Estado.

Precisamos de uma mentalidade nova, mas com bastante experiência sobre a adolescente UERN: pessoas com visão histórica e crítica, coragem e vontade de construir agora o novo futuro da nossa Universidade. Capazes de pensar e implementar ações que congreguem a comunidade universitária em torno do seu fim último: prover conhecimento a serviço da sociedade potiguar. Isto exige desprendimento de privilégios vãos; esforço coletivo, maturidade e responsabilidade com a coisa [res] pública, para gerir o patrimônio público em vista do desenvolvimento social. 
Está provado que isto não se faz por conivência ou apadrinhamento político partidário, como quem dirige uma prefeitura à moda da política tradicional. É preciso coragem para amadurecer e criar uma nova tradição. É necessário maturidade para emancipar-se. Emancipação é uma conquista de quem busca a liberdade; é a responsável pela saída da adolescência. Sem a autonomia de gestão financeira a UERN continuará a mercê de interesses esconsos.  
Somente a autonomia financeira da nossa Universidade, sob uma gestão responsável, livre e democraticamente transparente, pode nos dar a todos – Professores, Técnicos, Estudantes e Sociedade – a dignidade e a valorização que a comunidade uerniana merece.





[1] Sua expansão ocorreu durante a sua infância (1968-87), criando-se o campus de Assu (1974), o de Pau dos Ferros (1977), e o de Patu (1980). Durante a sua adolescência (1987-2017) criaram-se o campus de Natal e o de Caicó, em 2002, além do Núcleo Avançado de Educação Superior, em Macau, e mais 10 Núcleos até 2005.
[2] Pela Lei nº 5.546/87-ALRN, em 08/01/1987, encerrou-se sua infância de 18 anos. Reconhecida pelo MEC em 1993 (Portaria nº 874/93), esta adolescente de 48 anos ainda reclama a sua emancipação, por uma Lei de Autonomia, desde a Assembleia Estatuinte da UERN, em 2010. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A ESTA GERAÇÃO

Hoje entristeci. Senti o adeus à profissão de Professor de Filosofia no Ensino Médio, além do de Sociologia, de Artes, de Língua Espanhola e do Educador Físico. Tudo derrubado pela maldita Medida Provisória da Reforma (MP 746/2016) Temerosa no Ensino Médio. Por esta MP Temerosa regressamos à época em que a educação escolar era tão desvalorizada que qualquer um podia ensinar qualquer disciplina. Bastaria uma "ordem superior". Mas não é meu intento analisar aqui este golpe à Educação.
Embora triste, quero resistir. Conclamo, então, a esta geração que está almejando estudar numa universidade e se profissionalizar no dito nível superior, para superar vossos pais: principalmente minhas sobrinhas Thaílla, Isabelle, Cecília e Ianna, minha filha Ariadn, meu sobrinho Mateus e meu irmão Gabriel. Esta geração que é testemunha ocular desse retrocesso histórico no Brasil. 
Espero que vocês registrem como puderem, para não esquecerem e, quiçá, poderem falar às gerações futuras, com a autoridade de quem viveu e pensou sua época: coisa que a nossa geração de filhos de trabalhador da década de 1960 não foi capaz de fazer, tal como a dos nossos pais, no interior do Nordeste do Brasil. Eles não tiveram as condições que nós tivemos, tampouco, nós, as que vocês têm. Apenas vivemo-las, sem pensar sobre elas.
Sem informação nem reflexão, não aprendemos que tais condições dependiam das decisões de homens que nos fizeram acreditar que o que conquistamos foi dom divino ou foi graças à caridade de alguém que não precisava lutar como nós, para sobreviver. 
No melhor cenário, fomos influenciados por quem assistia ao Jornal Nacional e se achava intelectual por ler a Veja, que por vezes nos fizeram imitá-los em menosprezar ou até odiar nossa origem humilde.
As mudanças impetradas hoje no país condenarão novamente milhares de jovens à condição de excluídos de direitos básicos como Educação e Trabalho. Isso só por causa do ódio dos privilegiados mesquinhos, carentes da pobreza alheia para se sentirem superiores e então poderem maltratar ou até fazer caridade para se redimirem da irresponsabilidade política e se dizerem melhores.
Pensem nisso! Porque há gente na rua hoje lutando para que não se perca o que se conquistou para a geração de vocês. 
Parafraseando Zeca Baleiro, "nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça"; quero ser o cassador; estou cansado de ser cassado.
Estão cassando os direitos de novas gerações. E não é justo condenar pessoas à miséria e só pedir a Deus que cuide delas. Equivale a comportar-se como filhos que geram netos, irresponsavelmente, e os deixam para os avós criarem, os pais dos pais, compensando-os com dízimos ou presentes de natal. Vale pensar: se dessas pessoas se diz que são filho/a/s mal criado/a/s, o que dizer dos religiosos que fazem o mesmo com o seu próximo? 
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