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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

ALFA E BETO III

 III - IDENTIFICANDO OS SONS

Alfa: Caaaaa

Beto: Ca

Alfa: Ceeee

Beto: Ce

Alfa: Ciii

Beto: Ci

Alfa: Coo

Beto: Co

Alfa: Cu

Beto: Cu

Logo Alfa percebeu que Beto já estava identificando os sons, pois estava desenhando-os no modo mais breve, mesmo quando ela o cantava em modo longo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

ALFA E BETO II

 II - ALFA BETIZANDO OS SONS

Alfa: Baaaaa

Beto: Baaaaaaaaa

Alfa: Ba

Beto: Ba

Alfa: Beeeee

Beto: Beeeeeeee

Alfa: Be

Beto: Be

Alfa: Biiiiii

Beto: Biiiiiii

Alfa: Bi

Beto: Bi

Alfa: Boooooo

Beto: Boooooooo

Alfa: Bo

Beto: Bo

Alfa: Buuuuu

Beto: Buuuuuu

Alfa: Bu

Beto: Bu

Mas Beto supôs que ambos não estavam se entendendo pelo desenho do som alongado, pois Alfa logo o tornava breve e, tão logo o via desenhado, parecendo satisfeita, ela mudava para um novo som. Isso despertou-lhe a vontade de se entenderem.


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

ALFA E BETO

 I - CANTAR E BRINCAR

Era uma vez Alfa e Beto.

Alfa era uma menina que gostava muito de cantar.

Beto era um menino que gostava muito de brincar.

Ele desenhava tudo o que ouvia.

Ela cantava tudo o que via.

Alfa queria conversar com Beto, mas, aparentemente, ele preferia brincar.

Beto queria brincar com Alfa, mas, aparentemente, ela preferia cantar.

Por isso eles não se entendiam.

Enquanto Alfa cantava, Beto apenas lhe olhava e desenhava.

Enquanto ele desenhava, ela apenas o observava e cantarolava.

Num belo dia, Alfa teve uma boa ideia. Então, ela cantou:

- Beto! Vamos brincar! 

E ele desenhou algo alegre e surpreendente, como:

- Alfa! Vamos brincar!

Alfa continuou cantando:

- Brincar de desenhar.

E ele, desenhando:

- Você pode cantar meu desenho.

E ela, cantando:

- Não entendo o seu desenho.

Precisamos brincar de compreender e ser compreendida.

Que tal desenhar o que eu canto?!

E Beto rabisca:

- Canta e eu repito.

Então, depois de uma pausa de ambos...

Alfa: Aaaaaa

Beto: Aaaaaaaaaaa

Alfa: A

Beto: A

Alfa: Eeeeee

Beto: Eeeeeeeeee

Alfa: E

Beto: E

Alfa: Iiiiiiii

Beto: Iiiiiiiiiiii

Alfa: I

Beto: I

Alfa: Oooooo

Beto: Ooooooooo

Alfa: O

Beto: O

Alfa: Uuuuuu

Beto: Uuuuuuu

Alfa: U

Beto: U

Assim, Alfa percebeu que Beto desenhava rápido os sons mais curtos. Então, ela continuou acrescentando novos sons aos mais simples e ele continuou desenhando o que ouvia...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Amizade, Joias e Bugigangas

 Duas meninas conversavam empolgadíssimas. O tema era joias e bugigangas. Porém, como sempre, uma parecia ter muito mais entusiasmo em falar do que a outra em ouvir. Então, certamente falava mais aquela que tinha mais o que dizer sobre joias, porque, possivelmente, as tinha em maior quantidade. A outra, por sua vez, parecia sentir mais prazer em ouvir, meio encantada com tanta beleza em exposição pela boca da sua amiga; embora, por vezes, parecesse também querer falar um pouco do pouco que tinha em bugigangas que ela mesma confeccionava, mesmo que fosse apenas para desfila-las em reverência à joalheria daquela.
De repente, a mais ouvinte perguntou para a mais falante onde ela guardava suas jóias. Ao que ela respondeu: – No meu quarto.
– Sim, mas em quê?
– Num porta-joias que minha mãe comprou.
Aí a amiga achou o filão sobre o qual tinha mais o que falar, pois havia produzido ela mesma a sua própria caixinha de joias: bela, prática e econômica. Então a esbanjou compensatoriamente, quer pela beleza, quer pela praticidade, quer pela economia e até pela autoridade de artesã. Parecia simplesmente a sua joia rara feita para guardar bugigangas.
Impressionada, a outra quis comprar-lhe a peça, argumentando sê-la mais adequada para guardar preciosidades do que quinquilharias. Ao que a amiga retrucou: – Obrigada pelo interesse! Mas acho que você precisa aprender a valorizar mais o que não tem preço!
Observei, pois, que enquanto a menina ouvinte tratava a amiga falante como se fosse a sua própria caixinha de joias, peça construída com muito esforço, na qual ela tentava repousar seus tristes segredos, talvez até apenas para não a deixar vazia, a amiga falante, por sua vez, via a amiga ouvinte igualmente ao seu porta-joias, na verdade uma bugiganga pelo que fora pago um preço: útil! Porém, como mera vitrine para exibir suas posses.

Então fiquei pensando: será que a amizade é assim como uma caixinha de joias: pronta para guardar e expor os penduricalhos que apenas passam por ela, mesmo quando eles se acham mais valiosos que ela, tendo-a como uma bugiaria? Afinal, seria a amizade uma joia ou como um porta-joias?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Perda de Memória?

Às vezes desconfio que estou com perda de memória.
Nem me lembro porquê. Por isso não sei se perdi ou se me roubaram...
Mas desconfio, assim como desconfio que estou ficando velho.
Tal como desconfio que ainda vou morrer... Por que será?
O pior é como isso afeta o humor!
Às vezes chego a xingá-la.
Quando tento encontrar algo e não consigo, eu logo desconfio que é culpa dela e lhe digo: Ora, vai à merda!
Mas não tem jeito. Ela sempre me responde: ...Quem?!!
E o pior é que eu nem lembro mais...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Diagnóstico do Medo

A médica era homeopata. Interessada em aplicar na medicina uma visão holística. Então, para não se deter apenas no sintoma, efeito ou fenômeno, ela provocou seu paciente: "Fale-me dos seus medos! Do que você tem medo?"
E ele lhe respondeu: "...De médico e policial."
"De médico? Por quê?" No seu espanto, a sua pergunta denotou o preconceito: é normal ter medo de polícia. Mas, de médico?!
Porque ambos, médico ou policial, - disse ele - podem ter minha vida em suas mãos. 
Um erro médico pode me tirar a vida, minha ou de um ente querido, ou causar danos irreversíveis, e nem ser denunciado, graças ao corporativismo da sua ética profissional. E o policial, por erro ou má intenção, pode transformar em bandido um cidadão pacato. Ambos valendo-se da autoridade lhes concedida: pelo suposto saber e pela lei. Paradoxalmente, um com o dever de salvar vidas e o outro, de protegê-las. Ambos com o poder de cometer injustiça. 
E ela sintetizou: Então, você tem medo de injustiça.
É certo - respondeu. Pois, a quem caberia reparar injustiças? O advogado. 
Mas, como confiar nele, se ele também se vale apenas da  autoridade lhe concedida? Ora, como reparar injustiças, sem o senso de justiça? Haverá nesse profissional tal valor, além do visado dinheiro e almejada fama? Sem o valor da justiça vivenciado em família e apreendido desde a infância, não está em seu ofício o maior poder de cometer injustiças?
Retumbante, ela diagnosticou: Seu mal é grave. E está se alastrando por toda a sociedade...