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sexta-feira, 14 de maio de 2021

THEO PRESENTE AO FUTURO

Eu vi os olhos de Deus

E os vi mirando em mim

Dizendo: "Toma, filha! É teu

Vai lá! Cuida! Ama ... Enfim!"


Deus me mandou um presente 

Que era já um pedaço meu

Um misto da minha gente

E da do amor que Ele me deu

Ajuntando sentimentos

De alegria, medo e dor

Uma cólica aqui, acolá um enjoo 

A melhor notícia esperançada no Amor

Primeira gravidez de Ahmina Raiara


- Sua família, minha flor!

Deus falou pra mim, baixinho.

Seu amor criou raiz

Seu corpo, que era ninho

Agora já é morada

Que aconchega e faz feliz


- Cuide, meu amor!

É seu

Eu te dou essa missão

Seja forte!

Não desista!

Nada será em vão


Nessa terra ora sem lei

Nesse mundo sem juiz

Eu te dou tua família 

Pra te fazer mais feliz

Na busca do sentido à vida

Na lide que já te dei

Criar alguém pra esse mundo

Não será fácil missão

Mas é a mais bonita forma

De buscar (R)evolução

Ahmina Raiara Solsona Oliveira

João Pessoa, 12/05/2021.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

AO TIO IVAN

Quando ela veio você se foi...
Partindo sem deixar recado
Sem escrever bilhete ou coisa assim
Causando um estardalhaço
Na alma de quem amo
E até dentro de mim


No peito a saudade ardida
Na mente a lembrança cativa
E na garganta o nó engasgado
De quem não pode chorar
Quando começa a doer

Nunca a falta do seu abraço doeu tanto
Nunca a falta do seu olhar doeu mais
Nunca a carência da sua voz me fez muda
Nunca me senti tão incapaz

Queria de volta suas brincadeiras malucas
E tomar café discutindo política à beira da tarde
Queria escutar seus conselhos
E poder rir com você do que a vida faz
Ver suas declarações pra tia Nalva
E seus mimos com Ianninha
Eu queria, tio, juro que eu queria...
Mas, agora, tudo é arquivo guardado no HD
Que mudaram e mudarão minha vida
Para sempre

Obrigada por tudo, tio!
Te amo!
THAILLA OLIVEIRA (25/04/2020)

domingo, 26 de abril de 2020

ACORDA, SALINHO!

Se eu pudesse, eu pediria a Deus
Que o hoje não fosse hoje
E como o hoje
Os amanhãs também não acontecessem  assim

Mas, agora
Eu só queria era poder dormir, dormir, dormir ...
Dormir num sono bem profundo
Sono de nem sonhar
E se eu tivesse mesmo que acordar para esse mundo
Fosse com você me despertando
Chamando o meu nome
Como sempre no diminutivo
Com o seu peculiar carinho
Renitente em seus motivos
Como incentivo para que eu me visse grande
Forte, capaz, poético, feliz, competitivo...
E continuasse alegremente o caminhar

Entretanto, é outra a realidade
Acorde-me dela, por favor!
Ainda creio que estou dormindo
Acorde-me falando
Que tudo não passou
De uma grande e tola brincadeira
Que você simulou
Só para nos ver sorrindo
E que é mais tola ainda
E desnecessário esse vazio
E essa angústia que estão me consumindo
Nesta ardente e tão silenciosa dor


Desperta-me!
E me surpreenda com mais uma nova viagem
Para todos nós ficarmos juntos
E nos alegrarmos em um bom lugar
Não numa viagem triste
Como essa em que você se foi sozinho
Tão subitamente
Como disse Thailla:
"Sem nada explicar"

Venha me sacolejar
Com a mais nova piada
Como as tantas que você inventava de repente
Só pelo prazer urgente de nos ver gargalhar
Só para alegrar o ambiente
Como aquela de empurrar no açude a meninada
De arriscar entre primos uma cavalgada
Só pra perder o medo
De aprender a nadar e a cavalgar

Cadê você, cunhado, amigão?
Paizão, palhação, tiozão, sogrão, vozão, maridão...
Cadê você, atleta, incentivador, rei da saúde, inveterado?
Naldinho, Naldão

Você foi demais sendo bom
Demais para todos nós
Muito amiúde
Quero acreditar
Que você se foi sutil
Para que, o que você fez por todos nós
Por todo esse tempo a fio
Não nos desse tempo de pagar

Certamente que tudo que você construiu
Em sua exímia engenharia de vida
Você esqueceu de calcular
O peso da saudade na sua ida
A falta da louca alegria,
E o legado
Que sobre nossas almas tão feridas
Iriam desabar

Agora
O que nos resta mesmo é a resiliência
É aceitar
Seguir-lhe ouvindo na lembrança assobiar
Constantemente Caetano:
"um amor assim delicado..."
E cumprirmos a missão de compartilhar
O tamanho do seu coração assim tão demasiado
De imensa alegria e intenso cuidado
Humanidade que não coube em si

Resta-nos, então, ir ao bom Criador
Onde todo dissabor se refugia
Onde toda misericórdia se faz
Pedir que nos oportunize um encontro um dia
Em um lugar eterno de alegria e paz,
Sem saudades, sem dor.

SALES DE OLIVEIRA (26/04/2020).

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

PAIXÃO DE PRIMAVERA

Tem amor no nome dela...
Tipo cristão, talvez
Mimo de flor
De mãe, amiga, amante
... quem me dera!
Amada além de um quando em vez,
Feito broto à primavera


Mas, nome? É coisa de pais
Que lhe deram sem mais
Nem menos que uma sina
Oxalá seja divina de amor e paz!


Quiçá, amor de menina
Exaltado amor profano, então
Divinamente humano
Exalando
À fina flor da pele
Branco tesão!

Sedução do olhar aos brandos
E serenos caracóis
Em loiras melenas, meigas e serenas
Como a voz que soa doce e angelical
Feito o olhar à luz do qual
Brilha a cor de uma paixão!
(Mossoró, 06/03/2001)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A GRAÇA DO TEMPO

Parafraseando o meu amigo Antônio Jorge,
Tic-tac tic-tac 
o homem marca o tempo
Tic-tac tic-tac 
o tempo marca o homem
Tica e taca no homem
E a mulher marca o tempo 
Que nos consome

Assim tornou-se adulta a criança minha 
E marcou o seu tempo em sua beleza
Da princesa filha à filha princesinha

Assim principia a princesa sua vida a duas
Sai da infância deixando-nos sua mais bela prenda

Prendendo-nos a aprender com quem a substitua

E eis que nos enche de graça
Com o melhor que há no presente:
A vida que por nós só passa Quando o passado já não é ausente
E o futuro jaz projetado
No ser que encanta a gente
No verbo que o tempo faz!

terça-feira, 14 de abril de 2015

PODER DE SEDUÇÃO

(ou Acalanto de Sofia)

Queria eu ter o poder de sedução no olhar:
Desfechando raios de visão
A quem me apetece
instigando-lhe os desejos de prazer
Que eu quisesse
Queria eu ter o poder de sedução
Na minha pele, em minhas mãos
Na epiderme dos meus dedos
Para que eu tocasse com meus desejos
O alvo do meu olhar mal sucedido
E lhe despertasse em paixões
Como as que sinto
Não como quem acorda de um sono maldito
Mas como quem se entrega a um encanto
Pois o encantado é sempre mais bonito!
E assim eu te tocaria a pele carinhosamente
E eu te afagaria o corpo
E te faria minha em meus braços
Como em minha mente
Deleitosamente
Como quem semi-adormece, absorta, em plena dança
Embalada pela melodia divinal que alcança o que eu quis
Amparada, aconchegada em meu abraço

Então tu me farias um deus
Pelo poder me concedido
De te fazer feliz
E, como tal, eu eternizaria o instante
Assim, o antes permaneceria agora
Como jamais perdido nem como sonho de outrora
Mas eu não posso
Então desperto, desencantado
Não me foi dado tal poder de sedução
Nem no olhar, sob essa visão mediata
Da qual escapa o teu miúdo e fúlgido olhar
Quando eu, mudo, quedo-me a escutar-te
Se não me queres escutar
Nem na minha epiderme grosseira, frente à tua tez
Com a maciez da espuma
Que meus dedos não ousam tocar
Sem tal poder, restam-me as palavras
Que me levam ao átimo fugaz do ser
Capaz de, se não te seduzir
Pelo menos fazer-te saber
Dessa paixão que eu te faria tão bem sentir
Apelo às palavras, minhas confessionárias
Pois se não me ouves tu o que te quero dizer
Digo a mim mesmo em poesia
Do prazer que, sem te ter, espero
Quando puder me despedir sem pranto
Pois se não posso ter-te minha
Meu é o poder de te dizer "te quero"
Mesmo que seja em acalanto:
Ai, como eu te quero, Sofia!


                             

domingo, 10 de novembro de 2013

Dar Tempo ao Tempo

Por que se deixar levar pelo tempo?
...Aonde ele me levará, se não à velhice do que já sou?
E o que fazer ao chegar, se tudo o que me apetecia já passou?

Por que dar tempo 
ao tempo?

O tempo não tem nada 
a nos dar, 
exceto tempo.
Como um deus, 
o que ele nos dá também nos tira
Pois, se não o consumimos,
perdemo-lo, 
por ele consumidos.


De que vale deixar-se levar pelo tempo
Se se quer algo fazer  
mais do que ter?
Além de nada lhe dar
Ainda haverá de cobrar
pelo que você não fez 
do seu talento...
pelo seu modo de viver...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ÂNIMA

Chega a morte
Vai-se alguém
E um corpo exanimado
Deixa em desânimo
Corpos cujo espírito
Em frio exame
Diz "amém!"

Assim cessa a dor
De quem já não se aliviaria
Cessa-lhe o ar da vida
A luz, o som, o sabor...
Finda assim sua agonia da existência
E à porta aberta da ignorância
Que fique a áurea linda
Da divina instância
Que faz da alma essência: 
O amor


Aos mortos vão as flores
E aos vivos, a lição da lide
Antes que a morte chegue
E em desânimo regue as dores
De quem à sorte ocupa a vida
Preocupado com a morte

Anima-te, Amor!
Anima-nos!
Animai-vos vós animais!
Pois os corpos vão
E os amores animam os que ficam
E os espíritos sãos dizem "amem!"
E amém!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Beijo de Sol e Mar

Gosto de quem cumprimenta com beijinho
Bacia de Campos-RJ, foto de Carlos Eduardo
Mas com beijo real
Assim espero
Nas bochechas ou na testa
Onde convier
Beijinho de fato
Com sabor de "bem-vindo!"
Pois, beijar o vento
Ainda soa falso
Se não sabe ou não quer
Pra que simular?
Um aperto de mão parece mais sincero
...Se tiver abraço, então...
Dá gosto ficar!
Como beijo de Sol
E abraço de mar

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Pedido

O que me trazer de lá?!
Nada que lhe custe dinheiro

Mas algo que lhe seja caro
Não raro de saldar:
Saudade
Beijos
Prazer
Traga-me 
simplesmente
Você!

sábado, 20 de julho de 2013

Desejo de Olhar

Nossos olhares se entrecruzaram
Rompendo barreiras
Cortando o espaço vazio entre tantos desatentos

Por sob a surdez de tantas falas
Por sob a mudez de tantas bocas

Enquanto as nossas calavam atônitas 
Atentas
Ao dizer silencioso de quem se olha

De quem se vê passar nos olhos
De quem se vê ficar 
Nos olhos
De quem se olha
Nos olhos
De quem passa 
Brilhando
Acompanhando no olhar de quem fica
O desejo de olhar
O desejo
De quem olha...

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Da Beleza ao Poeta

Beijo de Gildilene
Poesia é Arte. 
Arte é Beleza. 
E a beleza, tal como a arte, é EXpressividade: capacidade de EXteriorizar; pressão de sentimentos que EXplodem do interior para o EXterior do ser, como parte dele. 
Portanto, poesia é beleza pela expressão de sentimentos. 
Tal como os sentimentos, a poesia e a beleza carecem de expressão. Seu intuito é mostrar-se de dentro para fora; objetivar-se: tornar-se objeto acessível ao Outro, real, ao se realizar na apreciação do Outro. 
Lagoa do Bonfim
Tal como a beleza, a poesia tem algo de publicável. Ambas precisam ser divulgadas para ilustrarem a vida, como peças educativas que são. Considerando que a poesia ensina, ela precisa ser compartilhada para evitar o contrassenso de privatização da beleza. Pois, sem ela a vida fica triste e pobre.
Que graça tem a lua que não aparece?
Lua de Fernanda Augusto
Que graça tem o por do Sol se ninguém o vê?
Por isso, Artista Filho da Poesia! Oh, meu irmão Poeta! PUBLIQUE A PORRA DOS SEUS POEMAS! Contribua para a beleza dessa vida! 
Como você pode privar da beleza aqueles que não foram agraciados com ela? 
Exposição de Josué Flor
Ajude a educar a porra dessa geração que não lê! Não deixe que sua poesia se perca no tempo e no espaço, para divulgá-la quando você não puder mais se regozijar da sua obra, como quem parte sob a dor de não poder mais expressar seus sentimentos pelo ente querido nem saber do quanto era querido por ele! 
Por que ser apenas um ente partido, se pode sê-lo inteiro, realizado na interação com o Outro? 
Ao meu irmão Poeta, Sales de Oliveira!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ma Belle et Douce Nièce (Ahmina)


A boca doce angelical
Jolie sensual, escultural, a la Angelina
Ai, doce menina
Creio: Não pode ser acre o coração
Da boca que doces neblina
Cabocla linda
Linda 
Meiguice plena que estampa
Raro bem 

Este bem também 
Bem ensina
Nas línguas que dominas bem
Cultural, transcultural, universal
Intercâmbio natural a outras línguas
A esse bem que tu tens
Todo mal se detém
Se declina

Ahmina e Sales: valsa da formatura em Relações Internacionais 
A língua que à tua se enrosca
E que bem a dominas
Que seja ou se faça o bem mais doce
É boa sina
Pois bem de sorte é também
E das línguas de uma eterna menina
Reine a paz mundial da verdadeira
Sábia
E terna mulher 

Ma belle et douce nièce, Ahmina.    


Homenagem do tio poeta Salles de Oliveira (31/03/2013)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Das Dores


Maria das Dores
Por que Das Dores?
Não tinha outras Marias que ela pudesse ser?
Ela amava as plantas
As rosas mais simples, as flores
Mas Maria das Dores?
Ela tinha mesmo que ser?
Por que não só Maria?
... Como ela queria ser chamada
Já que toda Maria vem por sofrimento amparada
Precisava adicionar o tormento?
Maria do Livramento?!
Até Maria das Lágrimas, Madalena poderia
Pois por tudo chorava
Pela menor alegria

Maria do Socorro
A todos socorria
Maria Doce, Maria Cândida
Muito bem caberia
Maria de Jesus, olha que pura verdade
Foi para ele que ela se despiu de toda vaidade
Talvez para ver se menos sofria

Maria dos Milagres
Que com tanta gente e pouco dinheiro
Ninguém morreu
O prodígio ela mesma fazia
 
Maria do poder
Essa é invenção minha
Mas poderia ser
Mesmo frágil ela tinha muito
Ela podia
Não inventam por aí outras falsas Marias?
Homem, eu acho que só não teria que ser
Das dores
Estupidez! Tenham dó!
Isso é nome de gente?
Isso é nome pra marginal
Viver doente, com dor de dente
E não preocupar a ninguém.

Agora, olha só que legal
Maria da Glória, minha sogra
Outra mãe que eu tive, não natural
Maria das Vitórias, nome forte!
Não condizia seu porte,


Mas mesmo em dores a tudo vencia

Maria das Graças
Tantas graças alcançadas
Se não muito engraçada
Mesmo sem entender nada
Mesmo a se condoer
De toda tolice sorria
Por qualquer piada

Maria dos Remédios que sabia fazer
Com sábias e simples palavras
A todos dizia
Para qualquer sofrer
Só não tinha remédio pra ela, coitada!
Caramba! Quase digo um palavrão
Não dá pra entender
Já foi, é melhor não dizer
Ela não gostaria do som.

Maria dos Prazeres
Esse é bom!
Pergunte ao meu pai!
Foram seis
Poderiam ser mais
Todos com prazer
Mesmo assim Imaculada, Livramento,
Também caberia

Como cantava Milton Nascimento
Maria Maria
Poderia até ser
Era tudo que ele dizia
O que é que teria de mais?
Maria traz paz
Dobrada...
Ela se desdobrava com o seu jeito de ser

Você ria?
Porque não era você
Que trazia além do triste nome
Desde menina a sina de doer
Desculpa a quem desculpa couber
Dá pra aceitar até
Só não dá pra entender
Maria da Penha seria para se defender
Maria da fé... Que fé!
Acredita?
Com que tu achas que ela resistiu tanto tempo de pé

Outra mãe minha poderia:
Maria Nazaré
Maria Bonita, por fora e por dentro
Agora eu me entalo
Eu me arrebento
Pergunta a Gonçalo
Olha para os seis filhos

Parece que juntaram as dores dessas tantas Marias
E lhe colocaram
Então seria Maria Grande
Grande Maria!
Porque tudo cabia

Maria Mãe, ou Mãe Maria
Que lindo! Não sabes que mãe ela foi
Por mais que te digas tu não saberias
São inúmeras Marias
Levariam dias para serem citadas
Nomes de tantas outras santas Anunciadas

Qualquer outra lhe identificaria:
Maria da Conceição
Maria da Paz, Maria Cândida
Maria do Carmo, Maria Pureza
Maria do Céu onde está agora
Maria Tereza, Maria da Aurora
Maria da Hora - era lenta
Maria Da Guia, Maria Inácia
Que já nasce benta
Maria Benedita
Bendita Maria

Das Marias depois das dores
Tem outra que ela abominaria
Maria Rita
Mas pula essa parte
Não sei nem por que disse
Concorda comigo, Nice?

Com muita calma e muito amiúde
Tudo fazia
Concorda comigo, Maria de Lourdes?
Se fosse Beatriz?
Essa quem opina é Chiquinho de Assis
Maríliam, o que é que tu achas, William?
Marrion é Mariazinha em francês
Enobrece o som
Fala alguma coisa Wilson

Nalvinha, a gente nunca a chamou de mãinha
Ela nunca se incomodou
Talvez pelo amor à irmã tão querida
A quem, tão mãe, tão Maria
A tia Mãinha que nos guardou a vida

Mas de todas as Marias
Sabe a que me chama atenção?
E eu lhe cognominaria:
Maria da Resignação
Cumpriu sua grande e dolorosa missão
Subindo e descendo seus montes de males
Para nós foi tão antes
E foi-se tão... Resignada
De tudo ciente que por Deus foi chamada
Cruzando suas sombras e seus vales

Sim
Sou com orgulho
Um desses seis filhos
Desses seus frutos
O terceiro é Sales
                             Homenagem do meu irmão poeta à nossa mãe.
Sales de Oliveira  (01/2013)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tão Simplesmente

(Lendo Meu Pai)

Vou ali
Volto já
Não sei dormir fora de casa
Volto antes do Sol se deitar
Não me peça pressa
Posso levar mais de sete décadas pra me encontrar

Vou por aí meio andarilho
Quando eu voltar
Talvez eu faça mais um filho
Se eu não chegar cansado
Se eu não roncar
“Deus te faça feliz!”
Assim a cada um dos meus queridos vou abençoar.

Vou acolá
Sorver-me em meu penúltimo cigarro
Mascarar com menta a morte
A vergonha do meu hálito
Meu pigarro forte
Ciente que o bicho que devora a carne
É minha sorte
Que a qualquer tempo vai me contemplar

Vou vivendo e achando bom
Em meio a segredos
A morte ainda não me põe medo
A não ser deixar desguarnecida a minha prole
Mesmo sem a certeza
Do que depois daqui
Em outra vida hei de encontrar
Mas por surpresa e meu dilema
Quem sabe o meu problema venha
Do único órgão que eu não soube usar!

Quem sabe ao esgotar-se a minha boa sorte?
Vendo meu corpo despir-se num inferno à beira morte
Mesmo com meu pensamento descrente e jeito duro
Deus me dê tempo de tirar minha alma do escuro
Um novo sentimento possa-me brotar

Quem sabe no caminho eu precise fazer pontes?
Quem sabe que pra minha sede ainda exista fonte?
E ainda haja tempo pra mudanças
Ainda haja tempo de aprender e acreditar

Quem sabe ainda eu tenha tempo de pedir perdão?
Das vias que segui na contramão
As palavras duras proferidas
Não lhes quis a dor das minhas feridas
Perdoe os afagos e abraços que eu não soube dar
Os elogios que preferi não proferir
E os choros que engoli, pra não lhe ver chorar
Perdoe-me se não conjuguei direito
Os tempos do verbo amar

Quem sabe minha segunda geração?
Com seus sinceros beijos doces e abraços inocentes
Quem ligue as pontes do meu coração
Ensine-me o que ninguém soube ensinar:
Um dos maiores privilégios de ter nascido gente
Gonçalo, Coelho, humano
É ter feito gente como vocês
Para abraçar com minha voz que diz
Tão simplesmente, “te amo!”
                                        Homenagem do meu irmão poeta Sales de Oliveira, aos 77 anos do nosso pai (09/01/2013)