domingo, 9 de julho de 2017

Sorria e Aprenda, que lhe há de ser BOM o DIA!



Diante de tanta notícia ruim, diariamente, cujo resultado é, geralmente, um adoecimento do humor e da percepção do real, cujo sintoma é o descrédito na Política e até na humanidade, decidi precaver-me disto acessando antes algo que me fizesse rir e compartilhando-o nos vários grupos e entre amigos numa lista de Bom Dia no meu whatsapp. No entanto, um amigo filósofo me questionou: 

De onde vem esse otimismo, que não condiz com o status quo do Brasil atual? 
Talvez venha da minha compreensão de que preciso usar minha força interior (sorrir e aprender) para me vacinar diariamente contra as más forças exteriores e não me entregar ao mau humor ou pessimismo que elas proporcionam.
O sorriso vacina, tal como a piada faz pensar, e o aprendizado torna bom o dia.

Esse otimismo não incorreria num solipsismo inócuo à solução dos problemas objetivos do mundo real? 

Ora, se a questão se reduzir a deixar para os outros encararem a solução dos problemas do mundo intersubjetivo, de fato, isto não pode ser salutar à sociedade.
Mas a questão pode ser: COMO encarar os problemas do mundo intersubjetivo?
E a proposta é: vacinando-se com o sorriso antes de enfrentar as más notícias cotidianas. Pois, a depender delas, certamente, não há como se ter um bom dia.
Para isto, então, é preciso que se aprenda todo dia, a começar com a perspectiva do humor sobre a realidade. E, necessariamente, também com as tristes notícias cotidianas, para se superar a cada dia.
Assim, a solução não é deixada para os outros. Ela ainda está sendo buscada no aprendizado de cada dia com, para, e apesar dos outros.

Se isso tem sentido, então o que é "ter sentido"? Questionou-me uma amiga.

A rigor, a pergunta pelo "sentido" é, para mim, a pergunta verdadeiramente filosófica. Penso que "ter sentido", "fazer sentido" ou "dar sentido" é, em primeira instância, atribuir valor de verdade a um discurso que conforma, que justifica ou se ajusta à prática que preferimos adotar. Em última instância, consiste numa perspectiva pela qual se fundamenta uma prática sem nos arriscarmos a perder o sentido da vida, sem o qual a renegamos ou nos entregamos à barbárie ou à loucura, o que seria o mesmo.

E desde quando o discurso que conforta o subjetivo eu, deixando a solução dos problemas do mundo intersubjetivo para os outros encararem, é salutar à sociedade e aos homens outros? Redarguiu-me o filósofo.
Vale pensar que o discurso que conforta o sujeito é salutar à sociedade desde quando ele se realiza numa ação universalizável. Isto é, desde quando ele não mata o sujeito nem o isola da sociedade.
Atribuir valor de verdade ao sorriso e ao aprendizado cotidianos como condição para tornar bom o dia gera uma ideia universalizável que se realiza na condição de rir e pensar e fazer o outro rir e pensar a partir do risível, na busca de solução com e para os outros, apesar do "status quo do Brasil atual..." Afinal, que sentido tem tentar mudar os outros se não consigo mudar a mim mesmo?

E o que é o sentido da vida? Insistiu nossa amiga.


Teoricamente, seguindo o mesmo raciocínio, eu diria que "o sentido da vida" é o valor de verdade que atribuímos ao nosso modo de viver.                  
A consequência disso é um problema prático, que se dá quando não conseguimos mais com a nossa prática corroborar o valor de verdade atribuído ao discurso que a sustenta. Então, precisamos mudar de prática para dar consistência ao discurso ou mudar o discurso para sustentar a prática. E se não conseguimos isto, qual a consequência?
Parece que nisto consiste a verdade da expressão: a verdade doi. Doi quando a razão reconhece a necessidade lógica de mudar a prática de vida, porque esta já não se sustenta no discurso. 

Quero dizer: considera-se como verdadeiro aquilo que corresponde ao seu modo de viver, sem admitir que tal "verdade" diz respeito apenas a uma parte do discurso que se pretende universal; exatamente aquela parte que interessa para corroborar o modo de vida escolhido, de maneira que a generalização do discurso feita a partir da tal perspectiva não pode ser universalizada, tampouco o modo de vida correspondente.
Por isso, vale pensar para aprender a cada dia. Mas também vale sorrir para não adoecer ...

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